Luto: uma dor em constante ressignificação

“O médico perguntou:
— O que sentes?
E eu respondi:
— Sinto lonjuras, doutor. Sofro de distâncias” (Denison Mendes – Bonsais Atômicos)

Para mim, ser psicólogo é uma arte. Sim, a arte de escutar e ressignificar!
Simbolicamente é a arte de escutar a alma do outro, mesmo que este outro esteja com a vida literalmente de cabeça para baixo. Cabe a nós escutá-lo e compreendê-lo. Nós que trabalhamos com pessoas que estão vivenciando perdas e/ou luto precisamos estar disponíveis para “escutar” a tristeza, as angústias, o choro, a dor que dói na alma.

O texto abaixo escrito pela psicóloga Erika Pallottino, especialista em luto e que possui um Instituto especializado no tema na cidade do Rio de Janeiro – o Instituto Entrelaços – descreve com sensibilidade, a partir do seu olhar clínico, as dores vivenciadas pelos enlutados.

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O psicoterapeuta diante do comportamento suicida

“Nesta vida morrer não é difícil. O difícil é a vida e seu ofício”.
(Vladimir V. Mayakovsky – poeta russo que se suicidou com um tiro em 1930)

Por entender que a questão do suicídio é um problema de saúde pública e que nós profissionais da saúde precisamos discutir mais este assunto, compartilho na íntegra e com a devida autorização um excelente artigo que a Profa. Dra. Karina Okajima Fukumitsu publicou na Revista Psicologia USP.

“O psicoterapeuta diante do comportamento suicida”
Artigo escrito por: Profa. Dra. Karina Okajima Fukumitsu –  Instituto de Psicologia, Universidade de São Paulo, São Paulo, SP, Brasil

Alarmantes números sugerem um aumento progressivo das mortes por suicídio no Brasil. Segundo Bertolote (2012), “em função do tamanho da população brasileira, o Brasil se encontra entre os doze países do mundo onde há mais mortes por suicídio: 9.206 óbitos apenas no ano de 2008, segundo o SIM” (p. 59).

A maioria das discussões sobre suicídio não fornece ao profissional da saúde subsídios para instrumentalizá-lo quando clientes tentam se matar. Haas (1999) afirma: “Existem dois tipos de terapeutas – aqueles que perderam um paciente por suicídio e aqueles que perderão” (p. 32, tradução nossa). O objetivo deste artigo é o de oferecer possibilidades de instrumentalização ao psicoterapeuta com clientes em situação de crise suicida, fornecendo reflexões sobre o suicídio, sobre os fatores de risco e de proteção, alguns procedimentos utilizados em psicoterapia, tanto na prevenção quanto na posvenção do suicídio. O levantamento bibliográfico de estudos realizados no Brasil e nos Estados Unidos sobre o tema suicídio foi utilizado, bem como a experiência de 20 anos em atendimentos de clientes com comportamentos suicidas sob a óptica da Gestalt-terapia.

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A Arte de atender enlutados

“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro e não ver o nosso mundo refletido nos olhos dele”. (Carl Rogers)

Na semana passada nós comemoramos o dia do psicólogo e então, por um instante, parei para refletir exatamente o que é exercer esta profissão. Para mim, ser psicólogo é uma arte. Sim, a arte de escutar e ressignificar!

Simbolicamente é a arte de escutar a alma do outro, mesmo que este outro esteja com a vida literalmente de cabeça para baixo. Cabe a nós escutá-lo e compreendê-lo. Nós que trabalhamos com pessoas que estão vivenciando perdas e/ou luto precisamos estar disponíveis para “escutar” a tristeza, as angústias, o choro, a dor que dói na alma.

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