Perdas Secundárias no Luto: o efeito “dominó” de perder um ente querido

“Doeria mais tarde, quem sabe, de maneira insensata e ilusória como doem as perdas para sempre perdidas, e, portanto, irremediáveis, transformadas em memórias iguais pequenos paraísos-perdidos” (Caio Fernando Abreu)

Você já viu milhares de dominós caindo? Alguém passa muitas horas montando uma fileira complexa de dominós com diversos obstáculos. Cada dominó é estrategicamente colocado perto o suficiente de outro para ser capaz de atingi-lo à medida que cai. No momento apropriado, o primeiro na sequência vira, e isso desencadeia uma reação em cadeia. O primeiro dominó cai sobre o segundo, e assim vai, um após o outro, até que todos tenham caído.

Você deve estar se perguntando: Nazaré o que uma carreira de dominós caindo tem a ver com o luto? Metaforicamente muito! De uma forma estranha, essa cena singular é semelhante a um processo de luto. Um ente querido morre, mas essa perda não é a única e muitas vezes, desencadeia uma reação em série. A morte de um familiar pode levar a muitas perdas subsequentes que ocorrem como resultado direto dessa perda. Quando alguém experimenta várias perdas associadas à perda primária, a pessoa enlutada diz: “sinto que estou perdendo tudo”. Perder um ente querido frequentemente leva as pessoas para uma crise existencial, uma vez que os sentimentos e emoções associados ao luto, entre muitas coisas, muitas vezes mudam a identidade, a percepção de mundo e senso de si mesmo.

A perda inicial, por exemplo, do marido, esposa, pai, filho, irmão, é frequentemente referida como perda primária, e as perdas que se seguem são identificadas como perdas secundárias. Essencialmente, as perdas secundárias não são de forma alguma menos extenuantes ou menos traumatizantes do que as perdas primárias. São os dominós subsequentes que caem como resultado da circunstância inicial. Quase sempre haverá perdas secundárias intimamente relacionadas com a primária, como perda de companheirismo, perda de renda e segurança financeira, perda de seu companheiro de viagem e perda de sua identidade no que se refere ao seu ente querido morto. Infelizmente, no entanto, como muitas pessoas enlutadas atestam, as perdas secundárias são muitas vezes negligenciadas na melhor das hipóteses e totalmente não reconhecidas na pior das hipóteses. Segundo Stroebe & Schut, “houve uma falta de reconhecimento da gama de estressores, da multiplicidade de perdas, integrante da experiência do luto. Não só existe a perda da pessoa, mas ajustes têm que serem feitos em relação a muitos outros aspectos da vida”.

Essas perdas são mais frequentemente experimentadas quando a pessoa volta à sua rotina cotidiana. Ela pode notar que agora está comendo fora sozinha, recebendo convites em seu nome sozinha, e mantendo a casa sozinha. Essas perdas concretas e subjetivas se acumulam em um tipo diferente de dor à medida que a pessoa vai assimilando a perda. No campo da saúde mental, as perdas que são chamadas de secundárias são uma parte normal do luto – elas podem se desdobrar ao longo do tempo ou se manifestar imediatamente após uma morte.

Identificar e reconhecer as perdas secundárias pode, muitas vezes, ser o primeiro passo para desatá-las. Então, quais são as perdas secundárias mais comuns?

Perdas relativas a relacionamento:

Perda da Estrutura Familiar: uma mudança radical pode ocorrer na família nuclear. A perda da pessoa pode trazer uma mudança nos papéis em casa. Há tarefas e responsabilidades que você poderá ter que assumir por causa da morte do seu familiar.

Perda do Modo de se relacionar com a Família e Amigos: uma mudança ocorre na relação com a família direta e/ou amigos de quem morreu. Ex.: a esposa perde o marido, pode haver um afastamento da família do marido e de seus amigos.

Perda de Sistemas de Suporte: perda de amigos, familiares, organizações comunitárias e outros que ajudam a sustentar e dar força diariamente. Dizemos que o luto tem uma maneira de mudar nossos livros de endereços. Os amigos têm sido solidários e prestativos, ou sua experiência foi decepcionante?

Perda de um Estilo de Vida Escolhido: ser forçado a começar um novo modo de vida, apesar dos desejos pessoais. Para os cônjuges sobreviventes, isso significa estar solteiro novamente e possivelmente sem filhos.

Perdas relativas ao Financeiro

Perda de Segurança Financeira: pode ocorrer uma grave perda financeira associada à morte. Em muitos casos, a pessoa que morreu era o provedor da família. Para outros, pode haver perda de emprego devido ao processo de luto ou dívida grave incorrida pelo ente morto ou como resultado da morte. Por isso, o estilo de vida teve que mudar devido as circunstâncias.

Demais Perdas…

Perda do Futuro: a cessação imediata dos planos feitos com o falecido. Esta é uma grande parte da jornada do luto para os sobreviventes de uma morte de jovens adultos.

Perda de Esperanças, Sonhos e Expectativas: esse é um tipo mais simbólico de perda. Muitas vezes, lutamos para chegar a um acordo com a perda de nossas esperanças e sonhos para o futuro, e nossas expectativas de como pensávamos que a vida seria. Isso é especialmente verdade quando um jovem morre. Os sobreviventes sofrem não apenas pela perda do presente com essa pessoa, mas também pelos objetivos e sonhos futuros. Embora não sejam perdas físicas, elas são, no entanto, reais e difíceis.

Perda de um Grande Pedaço de Si: perda da parte que a outra pessoa nos deu e representou na nossa vida, durante todos os anos de convivência, e que a morte parece ter violentamente arrancado de você. São aspectos intangíveis que o outro nos deu livremente.

Perda de Autoconfiança: a falha de um sobrevivente em reconhecer sua própria autoeficácia pessoal. É fácil cometer erros humanos nesta jornada desconhecida, especialmente nas primeiras semanas e meses em que nossa atenção é completamente tomada pela morte. Sua capacidade de funcionar como antes poderá ser afetada.

Perda da Capacidade de Fazer Escolhas: a sensação de que o sobrevivente não tem controle sobre sua vida, levando a uma incapacidade de aceitar que ainda existem alternativas, opções e preferências permitidas. Como a necessidade de um novo estilo de vida não foi uma escolha consciente, é mais difícil ver que as escolhas ainda permanecem.

Perda da Segurança: incapacidade de se sentir seguro. Saber que o mundo é um lugar inseguro e imprevisível pode levar a sentimentos de ansiedade e vulnerabilidade. A pessoa pode ser acompanhada pela incerteza do que esperar, do que acontecerá a seguir, ou como reagir ou responder.

Perda do Senso de Humor: a incapacidade em perceber algo como engraçado. Por causa da dor associada à perda de uma pessoa importante em nossa vida, podemos não sentir vontade de rir de nada. No rescaldo imediato da morte, nos perguntamos se ainda não há problema em encontrar humor em situações, felicidade em eventos e prazer na vida.

Perda de Capacidade de Foco: perda de concentração devido à preocupação com sentimentos de dor e tristeza. Muitos sobreviventes relatam que sua capacidade de se concentrar ficou prejudicada. Foco e funcionalidade completa podem ser difíceis de recuperar, especialmente se houve trauma envolvido. Sua habilidade de trabalhar foi afetada por essas circunstâncias? Quanto apoio ou compreensão você teve no local de trabalho?

Perda da Saúde: os problemas físicos decorrentes de estresse emocional, dor, trauma, choque e luto. Muitos sobreviventes enfrentam problemas de sono, problemas alimentares, problemas cardíacos, dores de cabeça, problemas estomacais, depressão, ansiedade ou tudo isso.

Para a maioria das pessoas, as perdas não ocorrerão de uma só vez. Pode ser um processo gradual de uma perda após a outra, assim como no dominó. Independentemente disso, é de vital importância que familiares e amigos reconheçam esse importante processo. Precisamos nos relacionar com a pessoa de forma adequada e ajudá-la a lidar com as perdas que foram experimentadas, que estão sendo experimentadas e/ou poderão ser experimentadas.

Como mencionamos acima, as perdas secundárias são muitas vezes muito pessoais, por  exemplo, perda da fé ou perda de autoestima. Experiências pessoais ou privadas raramente são reconhecidas abertamente, às vezes até mesmo pela pessoa que as vivencia. Além disso, as perdas secundárias geralmente são perdas não reconhecidas e/ou validadas por quem nos cerca, como perdas relacionadas à estabilidade financeira, senso de autoconfiança, senso de propósito e sistemas de apoio. Amigos, familiares, ou qualquer outra pessoa que sofre perdas secundárias estão propensos a pensar que essas experiências são apenas obstáculos a serem superados, em vez de perdas reais que precisam ser cuidadas e ressignificadas.

O que ajuda? Bem, o simples fato de reconhecer e distinguir a série de perdas secundárias que uma pessoa enlutada pode experenciar é um bom começo. Também ajuda saber que perda é perda – não importa o quão grande ou pequena – e a pessoa enlutada merece ter tempo e espaço para afligir-se por essas perdas. Além disso, se você sente que não está recebendo o que precisa de sua família e amigos, você pode querer tentar um grupo de apoio ou aconselhamento terapêutico. A única diretriz é encontrar uma maneira de cuidado que faça sentido para você e, em última análise, que forneça uma sensação de conforto.

Essencialmente, grande parte da dor de uma perda secundária vem do fato da perda não ser reconhecida como uma fonte legítima de dor. Muitas pessoas precisam de apoio para entender o complexo processo das perdas secundárias. O caminho para a recuperação envolve muitos aspectos, sendo um deles a compreensão de que a vida será diferente sem a presença das pessoas que uma vez a preencheram. Haverá vazios em muitos aspectos, que podem eventualmente ser preenchidos no futuro, mas com algo totalmente diferente.

Uma palavra final: leva tempo e paciência para atravessar um processo de luto. Espero que esta lista ajude todas as pessoas enlutadas, amigos e familiares a entender que não há substituto para o processo de luto. Esse processo nos ajuda a sobreviver a todos os tipos de perdas e desafios, para que possamos fazer os ajustes necessários às novas circunstâncias. A consciência das muitas perdas secundárias que podem acompanhar uma morte pode ajudar a pessoa em luto e aqueles ao seu redor a serem mais pacientes à medida que aprendem a navegar por um novo mundo, traçando um novo curso à medida que embarcam em sua jornada pioneira para sua vida futura.

Psic. Mestre em Cuidados Paliativos
Psic. Especialista em Perdas e Luto
Especialista em Psicologia Hospitalar
Psychotherapist Member of British Psychological Society (GMBPsS)
Blog Perdas e Luto

Referências:

LaMorie, J.H. Recognizing and grieving secondary losses. Mar. 2013. Disponível em: https://www.taps.org/articles/19-1/secondaryloss

Tikvah Lake Recovery [site]. Why secondary losses are a ‘’double whammy’’ for grievers. Ago. 2021. Disponível em: https://www.tikvahlake.com/blog/why-secondary-losses-are-a-double-whammy-for-grievers/

The Centre for the Grief Journey U.K. [site]. Distinguishing Primary and Secondary Loss. Disponível em: https://griefjourney.co.uk/startjourney/for-the-grieving-person/articles-for-the-grieving-person/distinguishing-primary-and-secondary-loss/

Stroebe, M.; Schut, H. The dual process model of coping with bereavement: rationale and description [PDF]. Death Studies, v. 23, n.3, p. 197-224, 1999.

What’s your Grief? [site]. A Deep Dive into Secondary Loss. Jan. 2020. Disponível em: https://whatsyourgrief.com/a-deep-dive-into-secondary-loss/

Autocuidado: como atravessar um processo de luto?

“Durante o viver nós vamos enfrentar muitas dores e muitas tempestades. Precisamos descobrir como sobreviver diante do caos” (Psic. Nazaré Jacobucci)

A dor quando perdermos alguém a quem amamos é avassaladora e pode nos desorganizar psíquica e emocionalmente. Inevitavelmente vamos experienciar esta dor muitas vezes ao longo de nossas vidas, não temos como evitar a manifestação do luto após uma perda e infelizmente não temos como eliminar a dor. Afinal, a morte é um fenômeno natural e irrefutável da existência humana.

Continuar lendo

Vamos conversar sobre a morte?

“Não podemos estar realmente vivos sem termos a consciência de que morreremos um dia” (Frank Ostaseski)

A sociedade moderna possui novos assuntos interditos e dentre eles está a morte. Hoje os pais conversam com seus filhos sobre drogas e métodos contraceptivos, porém na minha prática clínica/hospitalar tenho observado que pais e filhos não conversam sobre a morte. Quando algum membro da família começa a falar sobre este tema alguém automaticamente diz – para com isso, que assunto mais chato, tanta coisa boa para conversar e você quer falar de morte, que bobagem. No entanto, a morte faz parte do desenvolvimento humano e precisamos conversar sobre ela.

Continuar lendo

Legado Digital: quem herdará seu patrimônio digital após a sua morte?

“Quem era, como era. Somos só memória à espera de não sermos esquecidos” (Memória, Ana Bacalhau)

No dia 01 de junho eu defendi minha dissertação de mestrado e o tópico central desse trabalho de pesquisa foi sobre legado digital. Eu investiguei o conhecimento dos meus colegas da área da saúde que trabalham em unidades de cuidados paliativos, no Brasil e em Portugal, sobre esse tema. A pesquisa foi respondida por 243 profissionais, e como era de se esperar, 98,8% disseram ser usuários de plataformas de mídias digitais. Entretanto, 52,7% declararam não ter nenhum conhecimento sobre legado digital e 46,5% confessaram não ter nenhum conhecimento sobre a forma como as empresas provedoras de mídias tratam os dados de seus usuários após a sua morte.

Continuar lendo

Testamento: a importância de se manifestar os últimos desejos

“Testamento: morreu sem nada, deixou tudo para o amanhã” (Zack Magiezi)

A morte visitará a todos nós em um determinado momento. Por isso, seria interessante nos preparamos para esta visita. Neste sentido, tenho observado, na minha lida diária com pessoas enlutadas, que há um aspecto prático relacionado à morte que muitos não tem dado a devida atenção: o testamento. Refletir sobre o assunto é algo necessário para quem constituiu patrimônio em vida. Não temos o costume de fazer um testamento, seja pelo medo da morte, seja porque desconhecemos o instrumento, mas é algo muito importante. Além de distribuir o patrimônio, o documento serve para registrar outras manifestações de vontade. Outra função importante desse documento é evitar divergências entre os beneficiários pela partilha da herança, evitando disputas futuras entre seus herdeiros .

Continuar lendo

Vida e Morte: será que há vida após a morte? Talvez!

“A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês. O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
É o mesmo de sempre. ‎Há continuidade absoluta e ininterrupta. ‎
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do caminho […] ” (Death Is Nothing At All by Henry Scott Holland – ‎trecho baseado em um sermão pregado na Catedral de São Paulo, Londres, após a morte do rei Eduardo VII‎)

Uma matéria no jornal The Guardian captou minha atenção. Era sobre uma nova série da Netflix intitulada “Surviving Death – Sobrevivendo à Morte”. Esta é uma série/documentário baseada no livro da jornalista investigativa Leslie Kean, que explora histórias pessoais e pesquisas sobre experiências de quase morte, reencarnação e fenômenos paranormais. Como uma estudiosa da morte e do morrer, fiquei curiosa e decidi assistir.

Pude observar ao longo de seis episódios, de aproximadamente uma hora de duração, que a série explora e analisa, por meio de experimentos e da fala de cientistas, acadêmicos, jornalistas, médiuns, religiosos, pacientes, pessoas enlutadas e pessoas da comunidade, sinais e evidências de que há algo para experimentar além do nosso último suspiro.‎ O diretor Rick Stern, por meio dos episódios, construiu uma série muito convincente e reflexiva de que nossa consciência pode continuar existindo além da vida como a conhecemos.

Continuar lendo

Natal: Celebrando as memórias, as histórias, a esperança

“Não queira eu que se apaguem as minhas dores, mas que eu saiba acomodá-las
no meu coração” (Cântico da Esperança – Rabindranath Tagore)

Estamos vivenciando uma das épocas mais significativas do calendário, o Natal. No entanto, este ano as comemorações serão um pouco diferentes da forma que estávamos acostumados a celebrar, principalmente para os cristãos. O ano de 2020 nos colocou diante de inúmeros desafios e provocou profundas mudanças de comportamento. Com o Natal não será diferente. Muitas famílias estarão enlutadas devido à perda de entes queridos por motivo da Covid-19 e, devido às restrições impostas pela pandemia, é possível que não possam celebrar da forma como estão habituadas.

Continuar lendo

Luto Complexo Persistente: quando o tempo de compreensão da perda se prolonga

“O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções” (Martha Medeiros)

No meu último post eu discuti a questão do tempo num processo de luto. Ainda sobre essa questão podemos tecer várias reflexões que passam por dois vieses: o técnico e o da vivência prática de pessoas enlutadas. O técnico está descrito no DSM. Para quem não conhece, o DSM é o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, criado há algumas décadas para unificar a terminologia sobre as doenças mentais pela APA, Associação Psiquiátrica Americana que está na sua 5º edição.

Continuar lendo

Vivenciar a dor, dê um tempo para o tempo do luto

“O luto não tem um tempo determinado para o seu fim, sua duração corresponde ao tempo que nossa psique leva para assimilar a ausência e integrar a saudade” (Nazaré Jacobucci)

Uma das perguntas mais comuns que nós especialistas em luto recebemos ´é – quando termina o luto? O luto tem um prazo determinado para acabar? No entanto, para essa pergunta não há uma resposta pronta. Para respondê-la precisamos ponderar diversos pontos relativos à perda e ao vínculo afetivo que a envolve. É necessário avaliar, inclusive, as perdas secundárias, que podem ser muito significativas.

Continuar lendo

Etiqueta para a Morte, o Morrer e o Luto na Era Digital

“A essência da etiqueta para a morte, o morrer e o luto na era das mídias digitais é ter bom senso, discrição e cuidado para com a dor do outro” (Nazaré Jacobucci)

Desde fevereiro de 2020 que a vida aqui na Europa começou a mudar gradualmente, e após meses o que nos era familiar agora nos é estranho. O familiar e seguro tornou-se desconhecido e, por vezes, ameaçador. A estabilidade física e mental foi violentamente lançada ao medo e à insegurança. Estar com entes queridos e pessoas do nosso convívio social é definido agora como perigoso. O primeiro país a experimentar esse estranhamento fora a Itália, país severamente afetado pela Covid-19, e logo todo o velho continente sucumbiu ao vírus. Assim como, outros continentes também foram implacavelmente afetados pela pandemia. A vida como pensávamos não existe mais. Tivemos que implementar, num curto espaço de tempo, novos hábitos, e estes incluem a digitalização do morrer e da morte.

Continuar lendo