Luto e Perdas num Processo de Imigração: um constante ressignificar

”Eu tenho medo de que chegue a hora
Em que eu precise entrar no avião
Eu tenho medo de abrir a porta
Que dá pro sertão da minha solidão” (Belchior)

No mundo de hoje, onde há globalização e estreitamento de fronteiras, o processo de imigração e migração vem se intensificando gradativamente. A migração não é sinônimo de luto. Muitas pessoas decidem migrar para ampliar seus horizontes e, muitas vezes, para mergulhar num profundo processo de autoconhecimento e reorganizar suas vidas estagnadas. Contudo, tanto os refugiados quanto os indivíduos que escolheram imigrar experienciarão, em graus diferentes, os sentimentos vivenciados num processo de luto. Pois, haverá várias rupturas e perdas ao longo do processo migratório

Ao contextualizar o processo de luto no contexto migratório gostaria de provocar uma reflexão das perdas cotidianas, reais e simbólicas, às quais nós imigrantes estamos suscetíveis em nosso dia-a-dia em terras estrangeiras, pois, como disse Freud em Luto e Melancolia (1917), “o luto, de modo geral, é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que corresponde à perda de um ser querido, como o país, a liberdade ou o ideal de alguém, e assim por diante. Exigindo assim um trabalho de luto”.

De acordo com os estudos de Della Pasqua e Dal Molin (2009), existem sete tipos de luto no processo migratório: da família e dos entes queridos; da língua; da cultura; da terra; do status social; do contato com o grupo de pertencimento e dos riscos para a integridade física.

Refletindo sobre a lista descrita acima, na minha opinião, ao decidirmos embarcar num ônibus, trem, avião e/ou navio estamos rompendo com dois dos vínculos mais importantes de nossas vidas: o vínculo familiar e o de pertencimento. De acordo com Métreaux (2011), o pertencimento contribui para precisar a definição de comunidade, constituída então por indivíduos que reconhecem ter um ou vários pertencimentos comuns, ou seja, um ou vários sentidos compartilhados. Comunidade que não se reduz a uma reunião de indivíduos, não se resume à soma das suas partes, mas surge como fruto de uma criação coletiva: criação, comum de uma identidade, de um mito, de um projeto, de uma história, de um destino, de uma essência.

                                                         (Foto by Orlando Facioli)

Ao migrarmos para um novo país precisamos romper um outro vínculo poderoso que nos confere identidade, ou seja, a nossa língua materna. A aprendizagem de um novo idioma não se refere apenas a aprender a gramática e a entonação correta, mas a incorporação de novos valores e ideias que conferem significado àquela linguagem. Para aprendermos de fato uma nova língua precisamos interagir com os locais e isso exigirá um contato maior com a população. Infelizmente, muitos imigrantes sentem-se angustiados e, até mesmo, envergonhados por não entenderem o que foi dito e/ou por não conseguirem pronunciar corretamente as palavras. Consequentemente, por não conseguirem interagir com os locais, alguns indivíduos podem desenvolver problemas relacionados à saúde mental como, por exemplo, humor depressivo e isolamento.

Outra questão de extrema importância é a perda do status social. A nossa profissão confere significado às nossas vidas e faz parte da nossa identidade. Quando migramos precisamos provar que aquilo que demoramos anos para aprender em nosso país de fato condiz com o que se aprende no país elegido para morar , ou seja, precisamos validar o nosso diploma. Esta validação não é das tarefas mais fáceis. Infelizmente, muitos profissionais deixam de exercer suas profissões devido aos entraves burocráticos e, por uma questão de sobrevivência, se submetem a realizar outros trabalhos. Muitos indivíduos reportam em suas falas sentimento de frustração, tristeza e fracasso.

Este é o quinto país em que sou imigrante e posso dizer que nenhuma experiência migratória é simples. Precisamos recomeçar, reaprender e ressignificar cotidianamente. Felipe Pacheco (2017) descreve em seu texto as tarefas de um imigrante: precisamos aprender a andar na cidade, se acostumar com a cultura e os costumes locais, com o clima, a lidar com a distância da família e a dor de ficar ausente. Afinal, você é obrigado a acompanhar de longe os aniversários, as formaturas, os almoços de domingo, as festas, doenças, crescimento das crianças, eventos nos quais você sempre estava presente. Tenho que concordar, estas tarefas não são fáceis.

Num processo migratório você perde parte de suas referências. Faz parte da elaboração do nosso luto mesclarmos nossos valores e tradições com os valores e tradições locais, pois isso cria novas possibilidades de identificação com a cultura do país. Por exemplo, neste sábado um amigo que é paulista nos convidou para comermos pastel que ele iria preparar. Paulista adora um pastel de carne: faz parte da nossa tradição culinária. Entretanto, como estava um dia excepcionalmente quente na Inglaterra, eu preparei Pimm’s, uma bebida típica inglesa de verão, para acompanhar o nosso pastel. Neste sentido, eu vou ressignificando minhas perdas, incorporando novos aprendizados e reconstruindo meu sentimento de pertencimento.

Quanto à elaboração do luto num processo migratório, segundo Pereira e Gil Filho (2014), esta pode variar de simples, complicada, até extrema. A elaboração simples se dá em boas condições e o luto pode ser elaborado no país de destino; o luto complicado apresenta sérias dificuldades, mas o indivíduo consegue elaborar o luto, com ajuda. Já no luto extremo, o indivíduo não consegue elaborá-lo, pois ele ultrapassa as condições de adaptação do sujeito.

Sem dúvida, vivenciar um processo migratório é algo que nos muda para sempre. Temos a rara oportunidade de compreender o verdadeiro significado da palavra tolerância. Aprendemos a tolerar o diferente, aquilo que nos parece estranho. Temos também a rara oportunidade de nos tornarmos mais flexíveis para as imprevisibilidades da vida, nos tornando assim mais competentes para a vida.
Passamos a valorizar o que realmente nos importa e o que confere sentido para nossas vidas. É uma experiência que eu recomendo. Não se surpreendam se vocês descobrirem em seu processo migratório que não há lugar ideal no mundo, muito menos definitivo.

Nazaré Jacobucci
Psicóloga Especialista em Luto
Especialista em Psicologia Hospitalar
Psychotherapist Member of British Psychological Society (MBPsS/GBC)

Referências:
Bertoncini, C. Ser estrangeiro – O encontro com o Desconhecido. (Site) Interculturapsi.  Abril 2012. Disponível em: https://interculturapsi.wordpress.com/2012/04/27/ser-estrangeiro/
Carignato, TT. Por que eles emigram? In: CARIGNATO, T.T. et al. Psicanálise, cultura e migração. São Paulo: YM Editora & Gráfica; 2002. p.55-66.
Della Pasqua, L; Dal Molin, F. Algumas considerações sobre as consequências sociais e psicológicas do processo migratório. REMHU – Revista Interdisciplinar da Mobilidade Humana, ano XVII, v. 17, n. 32, p. 101-116, 2009. Disponível em: http://www.csem.org.br/remhu/index.php/remhu/article/view/147/139
FREUD, Sigmund. Luto e Melancolia (1917 [1915]). In: ______. A história do Movimento Psicanalítico, Artigos sobre a Metapsicologia e outros trabalhos (1914-1916). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud. Vol. XIV, Rio de Janeiro: Imago, 1996. p. 245-263.
Henry, HM; Stiles, WB; Biran, MW. Loss and mourning in immigration: Using the assimilation model to assess continuing bonds with native culture. Counselling Psychology Quarterly, v. 18, (2), p. 109-119, june 2005. Disponível em:
https://www.researchgate.net/publication/247508656_Loss_and_mourning_in_immigration_
Using_the_assimilation_model_to_assess_continuing_bonds_with_native_
culture
MÉTREAUX, Jean-Claude. Lutos coletivos e criação social. Trad. Eduardo Nadalin. Curitiba: Ed. UFPR; 2011. 305 p.
MILESI, R. Refugiados e Migrações Forçadas: Uma reflexão aos 20 anos da Declaração de Cartagena. Disponível em: http://www.justica.gov.br/central-de-conteudo/estrangeiros/art_irmarosita.pdf
Murray, JA. Loss as a universal concept. A review of the literature to identify common aspects of loss in adverse situations. Journal of Loss and Trauma, USA, v.6, (3), p. 219–241, 2001.
Pacheco, F. Saí do Brasil. E morri. Janeiro 2017. Disponível em: http://felipe-pacheco.blogspot.co.uk/2017/01/sai-do-brasil-e-morri.html
Pereira, RMC; Gil Filho, SF. Uma leitura da mundanidade do luto de imigrantes, refugiados e apátridas. GeoTextos, v. 10, n. 2, p. 191-214, dez. 2014. Disponível em:
https://portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/view/10116/8810
Rando, T. Treatment of complicated mourning. Champaign, IL. Research Press. USA; 1993. 768p.
Rosa, MD; Berta, SL; Carignato, TT; Alencar, SLS. A condição errante do desejo: os imigrantes, migrantes, refugiados e a prática psicanalítica clínico-política. Rev. Latinoam. Psicopat. Fund., São Paulo, v. 12, n. 3, p. 497-511, setembro 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlpf/v12n3/v12n3a06

Luto não elaborado: as repercussões psicoemocionais na vida adulta

“O entardecer traz consigo a noite, a escuridão, as sombras, o desconhecido, que também dão sentido à vida, fazendo parte dela. No dia seguinte, no horizonte da vida, surgirá mais um dia de viver, mesmo que não estejamos presentes. Será sempre outro dia de viver e talvez seja o último e derradeiro. No amanhecer, encontra-se outro entardecer. O entardecer é a metáfora da morte. Dia e noite são partes do mesmo e único fenômeno, vida e morte”. (Maria Emília Bottini)

A morte de um dos pais é um dos eventos mais difíceis que uma criança pode enfrentar. Ela expõe prematuramente à criança a imprevisibilidade da vida e a natureza tênue da existência cotidiana. Estudos com adultos que apresentavam alguns distúrbios psíquicos e/ou mentais, especialmente depressão, revelam frequentemente lutos mal elaborados vivenciados na infância, sugerindo que tal perda pode contribuir para o agravamento de transtornos psiquiátricos e que esta experiência pode tornar uma pessoa emocionalmente vulnerável para a vida.

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Luto na Infância: A Criança Enlutada

“A vida, senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme e acorda, dorme e acorda, até que dorme e não acorda mais…”  (Memórias de Emí­lia – Monteiro Lobato) 

A morte é inerente à nossa existência, então, precisamos falar sobre a morte com as crianças, pois em algum momento elas irão perder um ente querido ou um animal de estimação. Há também as crianças que vivem em zonas de extrema violência e que se deparam com a morte cotidianamente. Portanto, temos que prepará-las para lidar com esta situação. Quando uma morte ocorrer, pode ser a oportunidade para que nós conversemos com ela sobre o tema. Esta conversa é importante e saudável para ajudá-la a lidar com o sofrimento. Como os adultos, as crianças precisam vivenciar o processo de luto para elaborar a perda que ocorreu e continuar com sua vida sem medo. Resguardar as crianças da morte ou do conceito de morte presumindo que são muito pequenas para entender o que significa o que é morrer não é o ideal.

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Sim, a vida segue: revisitando minhas memórias

“A árdua tarefa de compor uma vida não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. A vida é maior que a soma de seus momentos”. (Zygmunt Bauman)

No último dia 22.12.16 eu republiquei um texto que havia escrito em 2015 para ajudar as pessoas em processo de luto a passarem pelas festividades do final de ano com mais leveza. O texto foi compartilhado e lido por milhares de pessoas e, por conta disso, eu recebi dezenas de e-mails e mensagens de pessoas que gentilmente dividiram comigo suas histórias e, consequentemente, suas dores e fragilidades. Histórias estas que muito me comoveram, como a de uma mãe que há 1 mês perdera sua filha aos 20 anos.

Conforme eu ia lendo as mensagens e respondendo com orientações e dicas de leitura, para auxiliar na compreensão desse momento de extrema fragilidade, eu voltei no tempo e comecei a revisitar as minhas próprias memórias. Olhar e cuidar da dor do outro me permitiu refletir sobre a vida e sua continuidade, apesar das perdas e dos lutos vivenciados ao longo de minha existência.

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O luto de um amor perdido

“Os sentidos, do mesmo modo como são únicos, são também mutáveis. Mas não faltam nunca. A vida não deixa jamais de ter sentido” (Frankl, 1989)

Faz um ano que nossa querida Adriana Thomaz foi morar em outra dimensão e, para homenageá-la, vou publicar com a devida autorização de sua filha Bruna Thomaz, este texto escrito por Adriana em 01.06.2012 em seu blog.

O Luto de um amor perdido” Texto escrito por: Dra. Adriana Thomaz

Toda perda pressupõe um luto e aqui não seria diferente. Por separação, nem sempre um luto reconhecido, ou por morte, chamada viuvez cujo o luto é validado, reconhecido, as duas podem doer por muito tempo. A diferença do processo não é óbvia, contanto, uma vez que o luto depende do vínculo estabelecido e não é porque foi por morte que tal vínculo foi maior. O que quero dizer nesta consideração inicial é que o luto pela morte não é sempre maior ou mais difícil que o luto pela separação de um amor. Aqui, na separação, a perda é carregada de sentimento de frustração de um projeto, a perda de um sonho, a perda do papel realizado anteriormente, do status quo, para não dizer da família, da convivência com os filhos, dos amigos, do padrão de vida. E dá saudade. Saudade de muitas coisas, até da aliança, muitas vezes objeto permanente nos dedos daquele que perdeu seu amor, vivo ou morto, como vi explícito no cantor Seal, em entrevista a um talk show americano no início deste ano. Ele gagueja, se emociona, faz pausas e finalmente responde à pergunta que não queria calar a boca da entrevistadora: E esta aliança no seu dedo, o que significa? Com muita clareza e não menos emoção, Seal diz que significa o que ele sente… o processo do luto é lento e precisa ser respeitado. “Eu me sinto bem assim. Não sei por quanto tempo vou usá-la, mas ainda me sinto bem com essa aliança no meu dedo”.

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United Kingdom: O luto coletivo de uma ilha

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. (Fernando Pessoa)

Na última sexta-feira, 24 de junho, acordamos com uma notícia um tanto quanto incômoda e, para milhares de pessoas, angustiante. Por meio de um referendo, uma consulta pública à população, descobrimos que o Reino Unido (UK) – mais especificamente, a Inglaterra e o País de Gales – não mais gostaria de continuar fazendo parte da União Europeia (UE). O dia foi definitivamente marcado pela tristeza após a confirmação final: os “out” venceram 51,9% a 48,1% os “in”. Este resultado também nos revela uma grande divisão no país.

Num encontro de psicólogos brasileiros em Londres no domingo um colega disse que a sensação ao se andar pelas ruas da cidade era de que “alguém havia morrido”. De fato, uma parte da população está vivenciando um processo de luto. Como eu já havia escrito anteriormente, o luto é um processo que se inicia após o rompimento de um vínculo e estende-se até o período de sua elaboração – quando o indivíduo enlutado volta-se novamente, ao mundo externo. O luto é um processo essencial para que nós possamos nos reconstruir, nos reorganizar, diante do rompimento de um vínculo. É um desafio emocional, psíquico e cognitivo com o qual todos nós temos que lidar.  Inclui transformação e ressignificação da relação com o que foi perdido.

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Ressignificando a morte de um filho

“Se não está em suas mãos mudar uma situação que causa dor, você pode escolher com que atitude vai enfrentar esse sofrimento”. (Viktor Frankl)

Eu, particularmente, não gosto de classificar qual processo de luto é mais difícil de ser elaborado, pois cada pessoa possui uma forma particular de reagir diante de uma perda e tal processo se dá de forma lenta e gradual, com duração variável para cada pessoa. Contudo, eu tenho que concordar que uma das tarefas mais árduas da vida seja, sem dúvida, assimilar a morte de um filho. O processo de luto de pais pela morte de um filho, geralmente, é marcado pela angústia, vazio, culpa, dor e sofrimento pelo rompimento de um vínculo que tem como base amor e afeto.

A morte de um filho, na maioria dos casos, é inesperada e nos remete à velha máxima de que a ordem natural seria os pais morrerem primeiro, o que infelizmente nem sempre acontece. A morte de um filho descontrói uma crença que muitos pais tomam como verdade absoluta, os desequilibrando psíquica e emocionalmente. Prof. Parkes denomina essas verdades construídas de “mundo presumido”. Quando seu “mundo presumido” é severamente abalado, o enlutado precisará reelaborar suas crenças e verdades para que ele possa reaprender a viver, refazendo suas expectativas e propósitos.

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Celebrando o dia das mães sem a minha mãe

“A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor”. (Carl Jung)

No próximo domingo, 8 de maio, comemora-se o dia das mães no Brasil. Para mim, este será o 25º dia das mães sem a minha mãe. Ela morreu em agosto de 1990. Assim como eu, com certeza há milhares de pessoas que celebrarão esta data de uma forma simbólica.

O dia das mães é um dia interessante. Muitas pessoas relatam que se sentem carentes, sozinhas, abandonadas, tristes, chorosas e órfãs. Tenho a sensação de que esta data nos remete a uma das dores mais profundas que a nossa alma pode sentir: a perda de uma mãe. Afinal, nossas mães são essenciais em nossa evolução para a idade adulta. Com elas criamos laços de amor e afeto que nos permitem ser no mundo. Não importa que você tenha tido uma relação difícil com a sua mãe. Mesmo assim, ela ainda ocupará um lugar central em nossas vidas.

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Estou de luto: Meu animal de estimação morreu

“Um animal de estimação reflete o afeto que investimos numa relação que nos ensina a ser generosos e a exercitar a capacidade de cuidar”. (Silvana Aquino)

Todos os seres vivos um dia irão morrer, portanto um dia você terá que dizer adeus ao seu animal de estimação. Infelizmente, a expectativa de vida dos animais, mesmo sendo eles muito bem tratados, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Por isso, é frequente os donos de animais de estimação terem que lidar com a morte de um ou mais animais ao longo da vida.

Os animais de estimação participam da vida cotidiana de várias famílias durante anos. Para muitas pessoas eles são verdadeiros companheiros, pois não criticam nem julgam; ajudam a amenizar o stress, pois estão sempre prontos para a brincadeira; e são uma fonte inesgotável de afeto e carinho, pois estão por perto, tanto nos momentos de alegria quanto nos momentos de tristeza. São por estas razões que as pessoas se apegam aos animais, criando laços profundos de afeição e amizade.

Elaborar a morte de um gato, cachorro, ou qualquer outro bichinho de estimação pode ser uma tarefa difícil. Estudos sobre as reações à perda de um animal de estimação mostram como é forte o apego desenvolvido. Usando o modelo da teoria de apego de Bowlby (citado em Archer, 1996), Parkes (citado em Archer, 1996) se referiu ao pesar de perder um animal de estimação como o custo de perder uma pessoa amada. O processo de luto envolve angústia, pensamentos e sentimentos que acompanham o lento processo mental de se despedir de uma relação estabelecida. Evidências sistemáticas indicam que há claros paralelos entre as variadas reações que as pessoas apresentam seguidamente à perda de um animal de estimação àquelas sentidas por uma perda de um relacionamento entre humanos (Archer, 1996). Provavelmente, você vivenciará as fases do luto, pois a dor da perda de um animal de estimação é a similar à dor causada pela perda de um ente querido, pois ocorre um rompimento de vínculo afetivo. (Bertelli, 2008).

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