Histórias

Conte-nos a sua História, pois este é um espaço dedicado a quem vivenciou ou está vivenciando um processo de Luto e que recebeu e/ou está recebendo cuidados especializados.

Elaborar o luto é um processo, é um renascer, um recriar de si mesmo. Uma possibilidade de ressignificar a própria vida atribuindo-lhe um novo sentido.

Nazaré Jacobucci
Mestranda em Cuidados Paliativos na Faculdade de Medicina da Univ. de Lisboa
Psicóloga Especialista em Perdas e Luto
Especialista em Psicologia Hospitalar
Psychotherapist Member of British Psychological Society (MBPsS/GBC)
http://www.perdaseluto.com

35 comentários sobre “Histórias

  1. É a primeira vez que vejo algo na internet sobre luto, não que não tenha opções, apenas vejo que o momento não havia chegado. O luto vem fazendo parte da minha vida desde muito cedo, perdi algumas coisas importantes, perdi pessoas e me perdi. O ” mergulho intenso” na dor, a falta de força para seguir foi avassaladora, mas quero dizer ; quem tem amigos e família , tudo pode. Fui salva deste “mergulho intenso”, quase sem volta porque tinha nos meus braços a minha filha (que no momento tinha apenas 6 meses de vida) que necessitava do meu amor , do meu leite materno para continuar sua história, a nossa história.
    A vida é linda, temos que viver de forma plena e sempre fazendo o bem.

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  2. Oi Nazaré, ótima a sua página. Parabéns. Sou psicóloga também, professora da UERJ. Também sou uma pessoa que perdeu seu marido depois de 44 anos de casamento, há três anos e meio. Publiquei um livro de meus escritos para ele no primeiro ano: De amor e de luto (Editora Multifoco) http://www.editoramultifoco.com. Tenho também uma página no FB com o mesmo nome. Um abraço.

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  3. Acho que hoje tudo se resume em apenas uma palavra : Saudades. Minha cachorrinha faleceu ontem dia 13/06/16 por volta das 12:15hs.
    Tínhamos ela, uma mistura de fox paulistinha, que interagia por completo a minha vida e a da minha esposa e temos mais 3 Rottweilers. Lara, que era o seu nome, morreu com 9 anos e 1 dia depois do seu aniversário. Em casa, sou eu e minha esposa apenas e Lara me escolheu para ser seu predileto, Quando decidimos ter um cachorrinho pequeno a 9 anos atrás, não imaginávamos que ela seria tão intensamente forte participante em nossas vidas. Uma cadelinha que mudaria toda uma forma de ver e sentir os animais, como parte de nossas vidas. Lara me adotou como seu guia, como seu braço forte que a livraria de pequenas encrencas perante os outros cães de casa, ela me via como seu médico, se amigo e nem sei se é exagero dizer, mas acho que ela me via como seu pai.
    Nosso amor era muito forte.
    Um acidente doméstico provocou a morte dela e com isso, nossas alegrias se foram. Sinto falta dos grandes afagos que trocávamos, da comida que repartíamos, da água que bebia em minha mão, das lambidas e dos beijos. Nadávamos juntos e tínhamos planos.
    Eu e minha esposa fazíamos planos pra quando ela ficasse velhinha, qual comida daríamos, quais brincadeiras serão menos penosas à ela. Planejávamos tudo isso 1 dia antes da morte dela. Pensava nesse mesmo dia, em eu tirar muitas fotos dela, pra ter um dia quando da sua morte por idade, termos mais do que lembrar.
    Chegamos em casa para o almoço e ela não veio ao nosso encontro. Fui procurá-la na sala e me deparei com uma cena triste, horrível. Larinha estava com o pescoço quebrado, porque tentou sair da sala por uma janela tipo ” guilhotina ” que nós mantínhamos ligeiramente aberta, suspensa por um calço para que o ar entrasse na sala e Larinha não sentisse muito calor.
    Ela estava entrando no cio e tentou sair da sala por aquela fresta para ir de encontro à um macho Rottweiller que temos aqui. Nessa tentativa e apoiada por uma bicicleta ergométrica que estava próximo à janela, ela pôs a cabeça na fresta e, presumo eu, deva ter se desequilibrado e afastou o calço da janela e a mesma caiu no seu pescoçinho e provocou a sua morte.
    Foi por minutos. Imediatamente segurei a Larinha em minhas mãos enquanto minha esposa suspendia a janela e cortava a tela de mosquiteiro, parte presa em seus dentinhos. Quando à tiramos de lá, estava sem vida. Seu corpo estava quente, suas fezes estavam quentes e com cheiro de recém evacuadas. A embrulhei em sacos pretos, cavei uma cova no fundo do meu quintal e a sepultei, entre orações e choros.
    Hoje, me deparei falando com ela, oferecendo comida para ela como parte do ritual diário.
    Nós a amamos muito. Ela se foi, mas seremos eternos amigos. Nosso amor foi e sempre será incondicional, como devem ser os grandes amores.
    Pensamos na hipótese de continuar dando todo esse amor a um outro cachorrinho, que se possível, será adotado, mas isso terá seu tempo certo de acontecer.
    A saudades e a dor caminham juntos no nosso luto por ela. Ela será lembrada sempre. Só espero que essas lembranças passem à ser só de amor, sem dor. A dor da perda.
    Grato

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  4. Boa tarde!
    Minha mãe faleceu em fevereiro e ainda estou no processo de luto, pois sinto que meu coração aperta muito em determinados dias e com algumas lembranças que tenho todos os dias praticamente. A morte dela foi uma surpresa, pois ela estava bem, em princípio. Ela estava em tratamento com um cardiologista há três anos e ele não tinha visto que ela tinha arritmia cardíaca e todos os sintomas que ela sentia há meses e meses era tratado como ansiedade. No inicio do ano, todos os finais de semana de Janeiro foram nos hospitais, pois ela passava muito mal e todos os médicos diziam que ela estava bem e que era mais uma crise de ansiedade. Em fevereiro quando levei ela num novo cardiologista já foi tarde, pois estava avançado demais e foram dias terríveis entre hospital e UTI. Passados sete meses, a revolta dos médicos já amenizou mas as perguntas ainda são diversas e para enfrentar determinadas situações com as casas que ela tinha e que preciso cuidar, fica muito difícil, pois cada vez que chego próximo das casas meu coração aperta tanto que não consigo controlar as lágrimas e a saudade, não tendo forças às vezes para ir até lá e resolver o que preciso. Em meio a isso, tive a ideia de procurar algo na internet que falasse sobre isso e encontrei seu blog. Já pensei em escrever sobre meus sentimentos, pois gosto de escrever e penso que talvez tenha pessoas como eu que precisariam ver que há outras pessoas que sentem como eu e que é difícil para os mesmos, assim como é pra mim.
    Obrigada!

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  5. Boa tarde.
    Hoje está fazendo 1 ano que me separei fisicamente de meu filho. Uma criança com paralisia cerebral de alto comprometimento, dependente para todas as suas funções mas de um sorriso enorme e grato em todos os momentos. Foram 20 anos de convivência e ainda lágrimas, escorrem sem pedir licença, nos momento mais improváveis. Tenho uma família amorosa, uma Fé religiosa que me consola mas como é difícil ter vida própria e redirecioná-la…
    Penso que muitas pessoas passam por momentos igual ao meu, e até piores. E tentando fazer alguma coisa útil com esta dor, tive um pensamento de criar um grupo onde pudesse compartilhar experiências, falar de vida , morte e do luto.Não sei quando … mas, talvez pra mim seja o caminho. Foi quando buscando algo de inspiração na internet, cheguei ao seu blog. Parabéns pelo trabalho, tenha certeza que é de grande ajuda.

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  6. Boa Tarde Nazaré, meu nome é Claudemir eu faço parte da capelania que atua em um hospital e trabalho também com pacientes paliativos e gostaria de me especializar em trabalhar com o luto dos familiares também sei que não é uma coisa fácil. Mas, com a ajuda de Deus e sua ajuda posso melhorar nos atendimentos desde já te agradeço.

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  7. Eu perdi alguém importante há cerca de 1 ano e um mês. Eu queria escrever essa história de uma maneira prática, mas o luto não é nada prático. Tudo se altera quando perdemos quem amamos, no meu caso, meu primo de 17 anos. Ele era um bom garoto, e cheio de fé. Tocava violino na igreja, e era um ótimo músico. Estava prestes a terminar o ensino médio, concluir o ensino e cursar medicina, ao menos, é o que dizia. Quando crianças éramos apegados, eu simplesmente detestava a ideia de pensar que um dia ele cresceria. Mas ainda bem que cresceu, e mostrou ao mundo a luz que coexistia dentro de si. Todos os natais estávamos juntos, e também no ano-novo. Tínhamos o hábito de ir ao parque, onde eu corria, e ele jogava bola.
    O nome dele era Mateus, excelente aluno de matemática. Ainda tento me apegar as memórias, com o tempo parece que a gente até cria algumas para que nem tudo se apague. Foi difícil me desvincilhar do dia em que ele morreu. Ele e a mãe, minha tia, moravam no nordeste, eu estava indo viajar para lá. Cheguei no dia 2 de Novembro, e no dia 4, estávamos conversando pelo WhatsApp quando ele me perguntou se poderia me buscar na casa da minha tia, ele estava de moto. ( No interior os meninos podem andar de moto de uma pequena distância) A perguntava ficou pairando lá. Não me lembro mais qual, só lembro de não ter respondido. E no instante seguinte ver minha mãe chorando, e me dizendo que ele havia morrido. Então é onde a lembrança fica embargada, o choque inicial, o riso nervoso e a frase: Não, não é isso. Ele está machucado, mas vai ficar bem, não é? Mas eu vi nos olhos da minha mãe que ele não ficaria. Então, partimos para o velório na casa dele. Havia tantas pessoas, tantos rostos desconhecidos, e eu só queria encontrar um que eu nunca mais veria. Um bilhete em cima da mesa para mãe dele, dizendo que ele voltaria logo, o celular em cima da mesinha. Era para ser rápido, ele tinha dado uma saída para buscar um papel do Enem na casa da namorada, qual descobri que era namorada no velório. Eu e ele combinamos de contar nossas novidades só pessoalmente, e esse dia nunca chegou. Ainda dói, e qualquer morte me dói. Não é pra ser fácil, e eu sei que as pessoas dizem que precisamos superar, como se existisse um prazo. A dor não possui prazo, a perda tampouco. A gente só aprende a lidar, conviver com as lembranças, com que ficou. Doeu porque era alguém tão jovem e tão fiel a Deus ser levado dessa maneira, com planos e expectativas. Doeu pelo amor que ele nunca pôde viver. E por tudo que eu tinha para contar. Para entender da morte, basta estar vivo.

    Obrigada pela atenção.

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    • Olá Maria Gabriela! Sinto muito por sua perda, meus sentimentos. Obrigada por compartilhar conosco sua história. De fato a dor do luto não tem prazo para terminar e nós não superamos a dor, nós assimilamos a perda no nosso tempo e aí passamos a compreender a realidade da perda. Abs, Nazaré Jacobucci

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  8. Olá! a exatamente 1 mês e três dias eu estou vivendo o maior pesadelo da minha vida. No dia 08 de fevereiro perdi meu sobrinho de 1 aninho e 2 meses por meningite meningococica. Foi um choque, filho único da minha irmã mais velha, o xodózinho da família e isso não é tudo: Pra completar meu pesadelo no dia 10 de fevereiro, dois dias depois de enterrar meu sobrinho, perco meu companheiro em um terrível acidente de moto! Não existem palavras que possa descrever para vcs o que eu e minha família sentimos, simplesmente é surreal. Nao tem explicação, não da pra aceitar é uma dor que não tem fim que sufoca todas as noites e todos os dias, vontade de morrer, nada mais tem graça tem sentido. Simplesmente perdi a vontade de viver.

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    • Olá Larissa! Sinto muito por suas perdas, meus sentimentos. Posso supor que estejas de fato entorpecida pela dor por essas perdas. Como forma perdas muito significativas o ideal seria ter ajudada de um especialista em luto, para ajudá-la a compreender aspectos traumáticos dessa situação. Caso precise de algo me escreva um email. Abs, Nazaré Jacobucci

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  9. Já se passaram 19 dias, mas parece que foi nesse exato momento. A angústia, o aperto no peito a dor sufocante não passam. As lágrimas continuam a rolar sem controle, não consigo tirar da minha memória tudo que aconteceu. Meu grande amor se foi, e nada foi possível fazer. Nossa vida feliz, cheia de brincadeiras e alegria. Tudo se foi, muitas palavras lindas e promessas fizemos um para o outro, muitos momentos felizes. Mas, ainda assim, sinto que ainda tínhamos muito pra viver juntos. Enfrentaria tudo que enfrentei pra estar ao lado Dele novamente. Ele, meu amigo, meu confidente, meu protetor, meu anjo que jamais esquecerei. Lembro-me de uma das últimas conversas que tivemos, na qual Ele perguntou se eu tinha noção do tamanho do amor Dele por mim, nossas conversas sempre aberta e franca. Quanta falta! Hoje me fechei para o mundo, não foi só o marido que perdi, também perdi meu melhor amigo com quem compartilhava meus medos e minhas angústias.
    As pessoas se aproximam perguntam se esta tudo bem, meu coração se rasga, sinto vontade de correr e fugir de todos, os sorrisos em minha sala me congelam. Fico paralisada, diante da felicidade alheia, como se isso me machucasse ainda mais, na minha cabeça acredito que as pessoas deveriam sentir o que sinto. Triste ilusão, com tudo que esta acontecendo aprendi que o mundo não para pra sentir sua dor, a ausência da pessoa que você ama, não faz diferença, só você e os poucos que estão ao seu lado sentem a ausência.
    A vida é cheia de surpresas, sempre quando acontecia algum acidente, ficava pensando na família, na situação desesperadora pela qual passavam, imaginava a dor terrível. Mas tudo que imaginei, não chegou nem perto do que tenho passado. A dor de perder quem se ama é insuportável, nunca mais abraçar. Hoje eu entendo o verdadeiro sentido da palavra saudade, sei que preciso acalmar meu coração. Pedir socorro a Deus, ocupar minha mente. Voltar a sorrir pelos meus filhos, Eles precisam que eu esteja bem. Cada ida pra casa é uma tortura, não consigo acreditar que o anjo da minha vida se foi. Nossa linda história juntos acabou, a morte terrível e tenebrosa nos separou para sempre, ficou o gosto amargo da impotência, tento ser forte e sorrir para nossos filhos, mas não consigo.
    Em nossas conversas Ele sempre falava que seria pra sempre, que se um de nós partisse primeiro iríamos dar um jeito de estar próximo um do outro sempre, parece estranho, mas fico esperando alguma manifestação Dele. Desde que ocorreu essa tragédia não há um só dia em que não chore. Sinto um vazio tão grande em minha vida, não sei como posso arrumar isso. Penso nas crianças, por falar em crianças. Não consigo suportar o sorriso Delas, pra mim chega a ser ofensivo, tenho que melhorar por Eles. Está tão complicado. Meu Deus por que o Didi se foi tão cedo, sinto tanta saudade de seu abraço. Sinto ódio de mim, quero muito um dia poder reencontrar. Como dói a falta que Ele faz. Perdi a vontade de viver, ficou tudo amargo. Nossos planos foram todos embora, cada dia tem sido um desafio. Tudo tão escuro, todos os dias revivo essa angústia, queria tanto que fosse um pesadelo. Tudo dói. Queria tanto acordar e poder abraçar tocar as mãos Dele, sentir a respiração Dele. Meu Deus que saudade. Não consigo controlar meus pensamentos, não sei o que vai ser da minha vida, tão difícil… A segurança do abraço Dele, tantas vezes desejei que a hora parasse quando estávamos juntinhos. Agora só me resta chorar todas as lágrimas do mundo, as pessoas dizem que com o tempo essa dor vai ficar menos intensa, não tenho esperança, sei que nunca, nunca na minha vida encontrarei alguém que preencha o vazio que sinto nesse momento. Nascemos um para o outro, somos almas gêmeas que foram brutalmente separadas pela morte fria e cruel. Sei que dificilmente em minha vida terei felicidade, perdi minha joia, meu único e verdadeiro amor. Morri com Ele, minha alma, meus pensamentos, está tudo com Ele. Meu corpo somente se arrasta dia após dia nessa vida que ainda suporto pelos meus filhos.
    Cada dia que se passa vou descobrindo novos sentimentos. Hoje parece que explodiu uma granada dentro de mim, e agora estou tentando juntar e colar os caquinhos. Sinto tanta falta que nem consigo explicar. Meu Deus tanta gente ruim e perversa nesse mundo, que vive pra fazer as outras pessoas infelizes e essa tragédia foi acontecer logo comigo. Sinto raiva de Deus às vezes, não consigo entender o porquê de tudo isso.
    E eis que surge um novo paragrafo, depois de um pouco mais de um mês descubro que estou gravida, meu Deus! Parece que minha vida foi jogada em um liquidificador nesse ano e tudo que era não é mais e tudo que não era passar a ser. Estou surpresa, e já consigo ver um pouco de luz em mim novamente, saber que dentro de mim existe mais uma sementinha de nosso amor, tem me ajudado a conseguir me alimentar. Agora sinto mais forças pra levantar e encarar a vida. Sei que é chocante para a maioria das pessoas estar grávida do quarto filho, sem o amparo do marido. Mas não ligo para a opinião de ninguém, sei que Ele queria e se aconteceu de ser agora deve ter um sentido, espero compreender um dia.

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  10. Olá! Meu nome é Fabiana, tenho 41 anos e perdi minha filha de 9 anos a pouco mais de 30 dias. Ela lutava desde os 5 anos contra tumores cerebrais, já tinha feito 5 cirurgias de remoção de tumores e estava fazendo quimioterapia pela segunda vez. Nessa segunda vez, a quimio foi muito agressiva, deixou ela muito fraca e debilitada e ela acabou pegando um vírus e uma bactéria. Teve 3 paradas cardio respiratórias e na terceira ela não conseguiu voltar mais. Teve várias complicações e falência múltipla dos órgãos. Apesar da saudade e do grande vazio que ela deixou, ela foi uma filha maravilhosa, uma verdadeira guerreira, lutou até sua última força e nunca se queixou de nada, estava sempre sorrindo e sempre bem. Tenho muito orgulho dela e sou muito grata e muito feliz por ter tido ela em minha vida. A dor da perda é insuportável, dói demais, cada dia que passa parece maior, mas como tenho outro filho mais novo, vivo para ele agora e todas as atenções estão voltadas para ele agora. Mas é uma tarefa árdua e muito difícil, parece que nunca vai passar.

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  11. Sou Cláudia Martins, moro em Coromandel/MG e vim relatar minhas histórias de perdas e luto. Minha primeira perda foi em 1996, meu avô materno faleceu em casa de um infarto fulminante. Sofri muito, pois era muito apegada a ele e nessa época já estava casada e chorava escondido do meu esposo. Depois em 1998 veio um aborto espontâneo do meu primeiro filho (a) que me deixou extremamente triste, deprimida e frustrada. Em meio a tantas perdas ganhei em 2002 meu melhor presente que é meu filho Carlos Henrique. Depois de alguns anos em 2013 minha avó materna faleceu junto comigo no hospital, como sofri em vê-la partir. Eu nunca imaginei que ainda teria que enfrentar mais batalhas pela frente. No final de 2015 eu e meu esposo estávamos na academia e ele não se sentiu bem, foi então que a partir desse dia ele começou a sentir falta de ar e dor no peito. Começamos a buscar tratamento e depois de muitos diagnósticos errados, ele foi diagnosticado com uma cardiopatia grave avançada e seu prognóstico era muito ruim, pois no caso dele somente um transplante cardíaco era indicado. Começamos uma luta na corrida para conseguir o tratamento, mas infelizmente ele não aguentou esperar e teve uma parada cardiorrespiratória em casa. Foi socorrido e levado para uma cidade vizinha onde ficou internado e em coma induzido tendo seu quadro agravado, em cinco dias faleceu aos 45 anos de idade. Morreu em 16 de julho de 2017, um dia após termos completado 22 anos de casados. Prometi a ele que NUNCA ia abandoná-lo…. Fiquei junto a ele até sepultá-lo naquele dia triste que ficou para sempre marcado em minha vida. Naquele dia sepultei junto com ele nossos sonhos, planos, nosso futuro… Mas NUNCA o nosso AMOR… Ele que sempre foi meu companheiro, meu amigo, meu porto seguro, um marido maravilhoso, um pai exemplar, um homem de fé. Comecei uma luta contra a sua ausência, pois sempre ele foi PRESENÇA… E isso dói, e como dói…. Uma DOR que dilacera a alma…. Ter que conviver com o VAZIO, sentindo saudades de sua linda VOZ, que inclusive me esqueci de mencionar que ele era dono de uma das mais lindas vozes, meu locutor preferido deve estar agora narrando um poema para os Anjos do céu.
    Depois que ele se foi recebi o apoio de muitos amigos e familiares e me ergo a cada dia pela sementinha deixada por ele, nosso lindo filho.
    Uma das pessoas que tanto me ajudou…. Minha irmã amada e querida…. Minha irmã….
    Como assim? Jamais pensei que ia receber essa notícia…. Em 12 de março de 2019 recebo a pior ligação que alguém pode receber, ouço meu cunhado me dizer que minha irmã tinha sofrido um acidente automobilístico e morreu na hora. Meu chão desmoronou…. Que desespero…. Uma mulher linda, jovem, mãe de 3 três filhos lindos, sendo que uma é criança de 08 anos…. Por que? Por que?
    Minha irmã confidente, amiga, companheira…. Eu não acreditei que estava passando por isso de novo, ter que sepultar mais um grande AMOR de minha vida, parte de mim, sangue do meu sangue. E agora? O que fazer sem vocês meus amores? Vivo um dia de cada vez…Vivo pelo exemplo que vocês deixaram de amor, humildade, simplicidade, força, e principalmente pelos filhos que deixastes…. Meu filho, meus sobrinhos…. Meus pais …. Vocês são a razão de meu viver…
    Sou estudante de Psicologia e pretendo ajudar pessoas enlutadas assim como eu. Uso da escrita para aliviar e expressar meus sentimentos, uma escrita terapêutica, gosto de homenageá-los em forma de poemas e mensagens. Para mim vocês estão mais VIVOS que nunca…. Em meu coração, em minhas memórias…. Quem AMA verdadeiramente jamais morre, mas vivem em cada um dos seus amados com maior intensidade do que antes. Daqui fica a SAUDADE do abraço, do afago, do beijo de amor. Até breve meus amores …

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  12. Hoje faz 7 dias que o amor da minha vida viajou. Meu namorado, meu amor… Estamos juntos há 10 anos, já vai completar 11 agora em setembro. Eu e ele brigamos direto, separamos, voltamos, mas sempre em conexão. Sempre juntos. Chega ser engraçado. Mas isso nem vem ao caso, o que importa é que eu sou dele e ele é meu. E que nosso amor não é daqui, porque nada vai apagar nosso amor nem mesmo essa distância que doí no estômago, no peito, no corpo e que quase sempre me faz chorar o tempo todo. Estava, sexta-feira em casa, quando a notícia do seu acidente chegou, na hora eu perdi o chão quando depois me veio o nome, ele faleceu. Isso ele faleceu na hora. Eu só pedi a Deus para morrer, só gritava que era mentira e que não era justo. Foi muita dor que eu senti aquele dia e hoje só me pego pensando nele o tempo todo e querendo viver tudo que não vivi com ele. Hoje já não pergunto a Deus porque ele viajou, só peço a Deus que ele me leve logo para perto do meu amor, a vida sem ele não faz muito sentido. Também peço que Leandro possa estar em um lugar lindo com plantas e animais para ele conversar, pois ele falava com os animais. Só peço a Deus força para continuar o legado dele aqui na terra até que meu dia chegue e que eu não sofra muito com essa espera. Eu amo demais e sei o quanto Leandro me ama, não existe palavra para definir ele, pois ele é lindo, lindo como a verdadeira definição da beleza masculina do livro de cânticos da bíblia. Ele não é mesmo da terra ele é de Deus. E foi cantar para Deus. Hoje só quero viver para espera-lo. Sinto que as pessoas se incomodam quando digo que não quero mais viver, não e depressão é apenas vontade de estar com ele. E não quero esperar muito o que me angustia e o tempo de Deus que espero que chegue logo. Quero estar com ele, porque mesmo longe estamos juntos e quero estar perto logo abraçá-lo. Por isso, digo não quero me matar para estar com ele, mas também não quero mais viver sem ele. Meu amor me espera.!

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    • Olá Luana! Sinto muito pela sua perda, meus sentimentos. Primeiramente, obrigada por compartilhar sua história conosco. Sua perda é muito recente e você ainda está na primeira etapa do processo de luto. Neste momento há uma sobrecarga de sentimentos que se misturam, é normal. Tenha paciência para com seus sentimentos e não deixe de expressá-los. Quando expressamos nossos sentimentos o caminhar pelo processo de luto se torna mais possível, traz conforto para esse momento de extrema dor e angústia. Abs, Nazaré Jacobucci

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  13. No dia 10 agora de Novembro de 2020, perdi meu filho de 44 anos. O meu menino se foi num acidente de carro aqui em S Paulo no rodoanel. Na madrugada do dia 11 meu marido chegou perto de mim e disse: acho que não é nada grave, a polícia de Osasco me ligou e perguntou se eu era o pai do Marco Aurélio Lippi Guimarães, para eu comparecer pessoalmente lá, que não podiam falar nada por telefone, primeiro pensamos em trote, alguma briga, qualquer coisa… meu marido pegou um Uber e foi para lá. No caminho começaram a ligar para ele da empresa que meu filho trabalhava, que ele tinha sofrido um acidente. Eu ligava o tempo todo, moro em Moema e no percurso ia ligando, o telefone do meu filho ficava online o tempo todo, mas ele não respondia. Durante esse percurso e as pessoas ligando caiu minha ficha e eu falei: bem, nosso filho morreu, porque se sofreu um acidente deveria estar num hospital e não na delegacia e ele disse para mim, eu também acho isso. Entrei em parafuso, chorava, me descabelava, não desliguei mais o telefone até ele entrar na delegacia e eu ouvir que o acidente do meu filho foi fatal e que tinha sido as 8hs da noite. Meu filho foi um menino e um homem brilhante, diretor de empresa, casado, 2 filhas lindas, 10 e 12 anos, ótimo marido, ótimo filho, ótimo em tudo que fazia. De repente foi embora sem ao menos me dar tchau. A única coisa que me tranquiliza um pouco é que ele era intenso, viajava, passeava, ia em todos os restaurantes, era difícil acompanhá-lo, então, tento talvez me iludir que ao invés de ter vivido 44 anos, viveu 88 anos de tão intenso. Para nosso espanto morreu com ele também uma moça, ficamos sabendo na hora, minha nora ficava no interior com as crianças e ele estava aqui em São Paulo, saindo com essa moça que morreu junto. Conclusão, além de eu ter que lidar com a dor de uma das pessoas mais queridas da minha vida, tenho que lidar com a agressividade da minha nora dizendo que para nós tanto faz se ele estava com uma moça, que ela vai criar as filhas com caráter e que para nós tudo isso é normal. Quando ele ficava sozinho aqui em São Paulo, a minha nora ficava no interior, eu e meu marido estamos presos aqui dentro há quase 1 ano, ele e a minha nora eram casados há 15 anos e mais 10 que namoraram, estavam juntos há 25 anos. Ele não gostava de ficar sozinho e ela preferiu ficar no interior do que ficar com o marido aqui em São Paulo, mas todo final de semana ele ia para lá. Não estou querendo julgar ninguém, mas acho que a esposa tem que ficar junto do marido. Essa é minha estória, hoje fui aqui na minha rua comprar 1 vestido para minha netinha e a dona da loja me conhece há muito tempo, ficou arrasada e me deu seu nome. Graças a Deus tenho 1 filha de 40 anos também, 2 netas filhas dela, 1 de 12 anos também que mora comigo porque minha filha se separou do pai desta filha quando ela tinha 3 meses, casou de novo tem uma filinha de quase 2 anos mora perto de mim, mas minha neta quis ficar morando comigo e eu amo. Meu filho jamais ia dormir em qualquer lugar, país sem me dar boa noite e dizer que me amava e amava toda a família de verdade. Minha filha também está muito mal e meu marido tenta estar bem porque se diz espírita. Eu não sei o que estou sentindo, estou tomando vários calmantes, estou procurando ser forte e levar a vida para a frente, mas não sei explicar como estou. Falei muito …. ❤️💋😢🙏🏼 Obrigada.

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    • Olá Denise! Sinto muito por sua perda, meus sentimentos. Obrigada por compartilhar conosco a sua história. Sua perda ainda é muito recente, você está na fase de assimilação dessa perda tão significativa. Por isso, tenha paciência para com seus sentimentos e não os reprima. Caso tenha vontade de chorar, chore. Faz parte do processo de luto expressar os sentimentos, para que no seu tempo você possa compreender essa perda. Abs, Nazaré Jacobucci

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  14. Estou passando pelo processo de luto. Na verdade, meu processo de luto se iniciou já tem um tempo e não para de se renová-lo através de novos ciclos.

    Meu nome é Alex Alves, sou advogado, 26 anos.
    Iniciei minha faculdade em 2013. Meu pai era cerca de 20 anos mais velho que minha mãe e ele tinha problemas cardíacos, então, em 2013, ele já tinha 68 anos e colecionava vários infartos e já tinha feito ponte de safena. Enfim, sabia que a situação de saúde do meu pai era grave e que, infelizmente, seu ciclo da vida poderia ser encerrado a qualquer momento. Vivia meio que uma expectativa de uma perda.
    Pois bem, em Novembro de 2013, meu Pai faleceu, iniciei o primeiro ciclo do meu luto.
    Após a perda do meu pai, aparentemente não tinha mais nenhum familiar próximo com problemas de saúde que me preocupasse no sentido da proximidade de uma nova perda. Contudo, foi aí que fui surpreendido.
    Exatamente após 01 ano do falecimento do meu pai, minha mãe descobriu um câncer terminal, câncer de mama com metástase no cérebro… foi muito difícil.
    Perdi minha mãe em 2014, fevereiro, neste período estava iniciando o 4 período da faculdade de direito, oportunidade em que, iniciei mais um novo ciclo do luto.
    Neste momento de turbulência, em que pese ter uma família materna amorosa, minha tia, irmã da minha mãe, pessoa muito querida por mim e que sempre me admirou e sempre foi uma referência em minha vida, proporcionou-me todo o suporte necessário para concluir a faculdade, bem como, o mais importante: afeto, preocupação, conselhos, enfim, assumiu literalmente o papel de minha mãe.
    Ocorre que, essa minha tia, antes de minha mãe, também tinha sido diagnosticada com câncer de ovário e metástase de peritônio, mas, seu alto astral, sua vontade de viver, resiliência, a fez conseguir superar diversas fases do seu tratamento e prolongar mais um pouco a sua vida.
    Seu câncer era agressivo, estava em grau IV, toda conduta médica era somente paliativo.
    Em que pese as diversas formas de tratamento e as inúmeras lutas na tentativa de prolongar a vida de minha tia com qualidade, infelizmente, agora em 2020, no mês de outubro, minha tia partiu e também faleceu, onde iniciei o 3 ciclo deste novo processo de luto.
    Considero ser uma pessoa de bom psicológico, contudo, não tem sido fácil, muita angústia, muita saudade, e, o principal, insegurança.
    Tenho um filho pequeno, esposa, irmãos, primos, uma avó, outros parentes importantes, mas, nenhum com uma referência de pai e de mãe. Sinto que falta algo em mim.
    Fiz esse texto no intuito de desabafar, sou um pouco fechado, não converso sobre isso com amigos e pessoas próximas.
    Espero que o discernimento, a natureza e Deus me mostrem um novo sentido na minha vida, pois, sem dúvidas, ainda sou muito jovem, apenas 26 anos, perdi as pessoas que mais amava e que davam todo sentido a essa plano e o aconchego necessário para enfrentar as dificuldades, e, o principal, dividir as alegrias.

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    • Olá Alex! Sinto muito por suas perdas, meus sentimentos. Espero que você encontre o discernimento para conseguir continuar sua caminhada. Mas, deixo como sugestão que você expresse seus sentimentos, não os esconda. O compartilhar de sentimentos nos ajuda a assimilar a ausência e compreender aspectos traumáticos da perda. Abs, Nazaré Jacobucci

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  15. No último dia 10 de dezembro levei minha linda e muito amada cadelinha buldogue para castrar.
    Já no primeiro cio apresentou problemas hormonais e gravidez psicológica, e daí a indicação para que fosse castrada antes do segundo cio.
    Várias pessoas amigas também castraram suas cadelas e repetiam incessantemente que castrar é um gesto de amor para com o animal, pois faz evitar graves infecções como a piometra, cancer de mama, etc. Então, fiz todos os exames determinados na minha Bebezinha e levei para a cirurgia até com felicidade de um dever cumprido, pois iria eliminar um problema e um risco na vida dela. Um aninho ela tinha.
    Ocorre que após a cirurgia e até mesmo voltar pra casa, horas após o procedimento, eu encontrei a minha neném ensopada de sangue em sua barriguinha, de modo que retornamos ao hospital e todos os médicos também. Lutaram pelo salvamento dela durante horas, mas ela morreu na madrugada do dia seguinte.
    A explicação foi alguma doença sanguínea que não havia sido detectada nos exames, mas que provocou a hemorragia.
    A dor que sinto hoje, após 18 dias do acontecido, é dilacerante. A culpa por ter levado ela pra cirurgia me destrói todos os dias, mesmo já tendo ouvido de tanta gente que minha intenção foi fazer o melhor por ela e o recomendado, mas nada me tira da cabeça que se não tivesse operado estaria aqui comigo.
    Eu amava demais essa cachorrinha. Ela era um bálsamo em minha vida de tanta alegria e brincadeiras. Companhia que ela me fazia. Eu brinco que ela falava comigo.
    Já tomei remédios tranquilizantes, choro muito todos os dias, já fui em psicólogo (não especialista em luto), já conversei com médicos para entender como essas coisas acontecem…. minha dor é tamanha que acho que nunca vou sair deste estado. Meu arrependimento é imenso.
    Fico com vergonha de sentir este luto por um animal em épocas de Covid, mas só eu sei o que estou passando por dentro.
    Quero muito superar a culpa, a tristeza, a dor… não consigo ver fotos da minha linda, nem lembrar da carinha dela, só sei chorar.
    Será que vou melhorar um dia? Preciso voltar a ser feliz novamente. Não encontro luz no fim do túnel.
    Obrigada

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