O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão do Islamismo

“Toda alma provará o sabor da morte e, no Dia da Ressurreição, sereis recompensados integralmente pelos vossos atos; quem for afastado do fogo infernal e introduzido no Paraíso, triunfará. Que é a vida terrena, senão um prazer ilusório?” (3ª Surata, versículo 185) 

Dando continuidade aos posts sobre a compreensão da morte em determinadas religiões, abordaremos neste post o Islamismo. Exploraremos como os fiéis dessa religião se relacionam com a realidade da morte e buscaremos compreender o significado de seus rituais.

O Islã surgiu no ano de 610 da Era Cristã, no deserto do Hedjaz, onde hoje está a Arábia Saudita. Naquele ano, o então comerciante Muhammad (saws*) – nome que foi erroneamente traduzido para o português como “Maomé”, o que é considerado uma grosseria pelos mulçumanos, uma vez que eles consideram que nomes próprios não são traduzidos, devem ser empregados como o são no idioma original – recebeu as primeiras revelações de Deus Altíssimo, por intermédio do Arcanjo Gabriel, ocasião em que soube que havia sido escolhido como Mensageiro de Deus. Muhammad (saws), que vivia na cidade de Meca, era um homem digno, um comerciante justo e dotado de grande bom senso e amor ao próximo. Antes mesmo de receber a revelação divina, ele era consultado pelos seus contemporâneos para solucionar litígios, julgar disputas e dar conselhos.

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Os Cinco maiores arrependimentos dos pacientes em final de vida

“Vida é uma escolha. É a sua vida. Escolha conscientemente, escolha sabiamente, escolha honestamente. Escolha a felicidade”. (Bronnie Ware)

Esta semana eu estava preparando uma aula sobre cuidados paliativos e ao reler alguns textos me deparei com alguns da enfermeira australiana Bronnie Ware. Com certeza um dos mais importantes contributos da autora é o livro “The Top Five Regrets of the Dying” onde ela descreve os cinco maiores arrependimentos relatados pelos seus pacientes em final de vida.  Bronnie Ware passou vários anos trabalhando em cuidados paliativos, cuidando de pacientes nas últimas semanas de suas vidas. Bronnie escreveu em seu blog “as pessoas crescem muito quando elas são confrontadas com a sua própria mortalidade. Eu aprendi a nunca subestimar a capacidade de alguém de enfrentar momentos difíceis. Algumas mudanças aconteceram e foram fenomenais. Cada paciente experimentou uma variedade de emoções, como esperado, negação, medo, raiva, remorso, mais negação e, eventualmente, aceitação. Contudo, cada paciente encontrou a sua paz, antes de partir”.

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Outubro Rosa: as principais recomendações de prevenção

“A vida só é possível reinventada. Mas a vida, a vida, a vida, a vida só é possível
Reinventada”. (Reinvenção – Cecília Meireles)

O mês de outubro é marcado por um evento muito especial, o Outubro Rosa! Este movimento iniciou-se nos EUA, na década de 1990, para estimular a participação da população na prevenção do câncer de mama. A data é celebrada anualmente com o objetivo de compartilhar informações sobre o câncer de mama e promover a conscientização sobre a importância da detecção precoce da doença. Promover o conhecimento e estimular as mulheres a estarem atentas às suas mamas para que possam, em caso de suspeita, fazerem uma investigação oportuna com a especialidade médica adequada.

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O luto de um amor perdido

“Os sentidos, do mesmo modo como são únicos, são também mutáveis. Mas não faltam nunca. A vida não deixa jamais de ter sentido” (Frankl, 1989)

Faz um ano que nossa querida Adriana Thomaz foi morar em outra dimensão e, para homenageá-la, vou publicar com a devida autorização de sua filha Bruna Thomaz, este texto escrito por Adriana em 01.06.2012 em seu blog.

O Luto de um amor perdido” Texto escrito por: Dra. Adriana Thomaz

Toda perda pressupõe um luto e aqui não seria diferente. Por separação, nem sempre um luto reconhecido, ou por morte, chamada viuvez cujo o luto é validado, reconhecido, as duas podem doer por muito tempo. A diferença do processo não é óbvia, contanto, uma vez que o luto depende do vínculo estabelecido e não é porque foi por morte que tal vínculo foi maior. O que quero dizer nesta consideração inicial é que o luto pela morte não é sempre maior ou mais difícil que o luto pela separação de um amor. Aqui, na separação, a perda é carregada de sentimento de frustração de um projeto, a perda de um sonho, a perda do papel realizado anteriormente, do status quo, para não dizer da família, da convivência com os filhos, dos amigos, do padrão de vida. E dá saudade. Saudade de muitas coisas, até da aliança, muitas vezes objeto permanente nos dedos daquele que perdeu seu amor, vivo ou morto, como vi explícito no cantor Seal, em entrevista a um talk show americano no início deste ano. Ele gagueja, se emociona, faz pausas e finalmente responde à pergunta que não queria calar a boca da entrevistadora: E esta aliança no seu dedo, o que significa? Com muita clareza e não menos emoção, Seal diz que significa o que ele sente… o processo do luto é lento e precisa ser respeitado. “Eu me sinto bem assim. Não sei por quanto tempo vou usá-la, mas ainda me sinto bem com essa aliança no meu dedo”.

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O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão do Judaísmo

“E o Todo Poderoso formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas a alma da vida”. (Toráh)

Dando continuidade aos posts sobre a compreensão da morte em determinadas religiões, abordaremos neste post o Judaísmo. Exploraremos como os fiéis dessa religião se relacionam com a realidade da morte e buscaremos compreender o significado de seus rituais.

O judaísmo é considerado a primeira religião monoteísta da história. Tem como crença principal a existência de apenas um Deus, o criador de tudo. Para os judeus, Deus fez um acordo com os hebreus, fazendo com que eles se tornassem o povo escolhido e prometendo-lhes a terra prometida.

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Luto Antecipatório: Elaborando e Ressignificando as perdas reais e simbólicas num processo de adoecimento

“A morte para os que ficam convida a um despertar da alma, para viver com mais consciência a vida de agora” (Fragmentos sobre a morte – Dora Incontri)

Para entendermos melhor o processo de luto antecipatório, compartilho na íntegra e com a devida autorização um excelente artigo escrito pela Profa. Dra. Maria Helena Pereira Franco publicado no Instituto Quatro Estações de Psicologia.

“Luto em Cuidados Paliativos”
Artigo escrito por: Profa. Dra. Maria Helena Pereira Franco

As primeiras visões sobre luto mostram um fenômeno entendido como causa potencial de doença física ou mental. É interessante observar como se deu a evolução desse conceito, até os dias atuais, quando definimos o luto como um processo normal e esperado em consequência do rompimento de um vínculo.

Parkes (2001), ao fazer uma revisão histórica sobre o estudo do luto, nos conta que, em 1621, o médico Robert Burton publicou The Anatomy of Melancholie, obra na qual apresenta o pesar como sintoma e causa principal da melancolia ou daquilo que, modernamente, chamamos de depressão clínica. Nos séculos 17 e 18, o luto era considerado causa de morte e prescreviam-se medicações para o chamado luto patológico. Em 1835, Benjamin Rush, médico americano, receitava ópio para enlutados e considerava que aqueles que morriam de problemas cardíacos tinham como causa o que ele chamara de “coração partido”. Parkes (idem) chama ainda a atenção para outros estudos que apontaram importantes diferenças, entre os quais destaca a publicação datada de 1872, de Charles Darwin, The Expression of Emotions in Man and Animals. Nesta obra, Darwin apresenta a evidência de que muitas espécies animais choram quando separadas daqueles aos quais estão vinculadas. Seres humanos enlutados tentam inibir esse choro, mas os músculos do choro são de mais difícil controle do que os demais músculos faciais, daí a aparência característica. Assim sendo, o comportamento de luto está presente nas nossas possibilidades de experiência e de expressão, já a partir de um ponto de vista etológico.

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O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão do Espiritismo

“Na vida, não vale tanto o que temos, nem tanto importa o que somos. Vale o que realizamos com aquilo que possuímos e, acima de tudo, importa o que fazemos de nós! ” (Chico Xavier)

Quando falamos sobre a morte, é importante compreendermos como cada indivíduo, como a sociedade em que ele está inserido e como a religião que ele professa, a compreendem. A crença religiosa professada pelo indivíduo é muito importante, pois é por meio dessa crença que ele fará a interpretação deste advento.

Dando continuidade aos posts sobre a compreensão da morte em determinadas religiões, abordaremos neste post o Espiritismo. Exploraremos como os fiéis dessa religião se relacionam com a realidade da morte e buscaremos compreender o significado de seus rituais.

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O Significado da Morte e o Processo de Luto na visão da Umbanda

“Historicamente podemos entender a ciência e a religião como antagônicas… Eu acredito que o verdadeiro sentimento religioso é o mais forte e nobre incentivo à pesquisa científica” (Albert Einstein)

Quando falamos sobre a morte, é importante compreendermos como cada indivíduo, como a sociedade em que ele está inserido e como a religião que ele professa, a compreendem. A crença religiosa professada pelo indivíduo é muito importante, pois é por meio dessa crença que ele fará a interpretação deste advento.

Dando continuidade aos posts sobre a compreensão da morte em determinadas religiões, abordaremos neste post a Umbanda. Exploraremos como os fiéis dessa religião se relacionam com a realidade da morte. Buscaremos compreender o significado de seus rituais, uma vez que estes diferem da maioria das religiões de cunho cristão.

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Último desejo de uma filha: quero ter filhos

“Ser mãe não é uma profissão; não é nem mesmo um dever: é apenas um direito entre tantos outros”. (Oriana Fallaci)

A sociedade moderna possui novos tabus e dentre eles está a morte. No entanto, a morte faz parte do desenvolvimento humano. Em algum momento de nossa existência iremos partir em definitivo. Então, precisamos dizer para as pessoas como queremos vivenciar este dia único, para quem queremos deixar nossos pertences mais íntimos e nossa herança, se queremos ser enterrados ou cremados, se cremados, onde gostaríamos que jogassem nossas cinzas, se queremos que nossos órgãos sejam doados ou não, quais pessoas queremos nos nossos rituais fúnebres e quais desejos que gostaríamos que fossem realizados mesmo depois da nossa partida.

Aqui na Inglaterra nos deparamos com uma história absolutamente inusitada: a história de uma mãe que brigou na justiça para gerar um filho por inseminação artificial com os óvulos deixados por sua própria filha, que morrera de câncer em 2011 aos 28 anos. Para entendermos melhor esta história compartilho na íntegra e com a devida autorização um artigo escrito pela jornalista Maria Eduarda Lafetá publicado em seu blog “Da Ilha”.

“Último Desejo”
Artigo escrito por: Maria Eduarda Lafetá – Blog Da Ilha

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