Cuidados Paliativos: a arte de morrer com dignidade

“Eu me importo pelo fato de você ser você, me importo até o último momento de sua vida e faremos tudo que está ao nosso alcance, não somente para ajudar você a morrer em paz, mas também para você viver até o dia da sua morte” (Cicely Sauders)

Quando pensamos numa morte digna, logo pensamos num processo de morte sem dor e sofrimento psicoemocional. Contudo, nos dias atuais, com o avanço tecno-científico, os hospitais, em sua maioria, possuem um aparato técnico para prolongar a vida até o último recurso, esquecendo-se de que, segundo Moritiz e Nassar, na outra extremidade dos tubos, cabos e drenos, atrás de alarmes e restrito ao leito, encontra-se um ser humano. Eu percebo que há um frequente empobrecimento das relações humanas no âmbito hospitalar.

A ênfase na cura em detrimento do cuidado é fonte de significativo sofrimento não só para pacientes e familiares, mas também para os profissionais da saúde, que rotineiramente se deparam com os limites de suas propostas terapêuticas. (Bruscato; Kitayama, 2008).

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Será que você está morrendo lentamente?

Eu considero esta uma das mais interessantes crônicas de Martha Medeiros, pois ela nos convida à reflexão sobre a vida e sobre o que temos feito com ela. Sim, todos nós um dia morreremos de fato. Mas, enquanto esse dia não chega, que tal nos apoderarmos de nossas vidas e a vivenciarmos de uma forma mais interessante?

“A Morte Devagar”

“Morre lentamente quem não troca de ideias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.

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O que você faria se tivesse mais tempo de vida (?)

“Compositor de destinos… Tambor de todos os ritmos… Tempo tempo tempo tempo… Entro num acordo contigo… Tempo tempo tempo tempo…” (Oração ao Tempo / Maria Gadú)

Interessante como nos tempos atuais as pessoas dizem a todo momento que não possuem tempo, pois este está totalmente preenchido com os afazeres do cotidiano. Impressionante como muitas e muitas vezes deixamos de fazer algo que realmente gostaríamos devido à falta de tempo, pois estamos sempre com pressa e nossas agendas estão sempre atoladas de compromissos “inadiáveis”. Infelizmente, não dispomos mais do tão precioso tempo livre para fazermos o que realmente deixaria nossa alma feliz.

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A Morte no tempo certo!

“Nascer bem, viver bem e morrer bem são os três pontos principais da felicidade humana. Mas de tal modo que do primeiro depende o segundo, e do segundo, o terceiro” (Comenius)

Recentemente no meu curso de bioética na Universidade de Oxford tivemos a oportunidade de discutir um pouco sobre as questões éticas que envolvem um processo de morte por eutanásia e, claro, como não poderia ser diferente, a discussão foi árdua. Reproduzirei uma parte do meu ensaio para este tema, no qual expus minha opinião.

Primeiramente analisemos o que é a eutanásia e as questões éticas que a envolve. De acordo com Batista e Schramm, um ponto da maior relevância é destacar a existência de uma série de situações distintas agrupadas sob o conceito genérico de eutanásia, a saber:

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Conversando sobre a Morte

“A morte não vem de fora, mas se processa dentro da vida com a perda progressiva da força vital. Morremos um pouco a cada minuto e um dia este processo chegará ao fim” (L. Boff)

A sociedade moderna possui novos tabus e dentre eles está a morte. Hoje os pais conversam com seus filhos sobre drogas e métodos contraceptivos, porém na minha prática clínica/hospitalar tenho observado que pais e filhos não conversam sobre a morte. A família muitas vezes desconhece como aquele ente querido gostaria de morrer, o que ele gostaria de fazer em caso de uma doença crônica sem possibilidade de cura ou uma morte súbita. Quando algum membro da família começa a falar sobre este tema alguém automaticamente diz – para com isso, que assunto mais chato, tanta coisa boa para conversar e você quer falar de morte, que bobagem –. Infelizmente, o tema da morte se tornou interdito no século XX, sendo banido da comunicação entre as pessoas. (Ariès, 1977).

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