Sim, a vida segue: revisitando minhas memórias

“A árdua tarefa de compor uma vida não pode ser reduzida a adicionar episódios agradáveis. A vida é maior que a soma de seus momentos” (Zygmunt Bauman)

No último dia 22.12.16 eu republiquei um texto que havia escrito em 2015 para ajudar as pessoas em processo de luto a passarem pelas festividades do final de ano com mais leveza. O texto foi compartilhado e lido por milhares de pessoas e, por conta disso, eu recebi dezenas de e-mails e mensagens de pessoas que gentilmente dividiram comigo suas histórias e, consequentemente, suas dores e fragilidades. Histórias estas que muito me comoveram, como a de uma mãe que há 1 mês perdera sua filha aos 20 anos.

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Alzheimer: o cessar lento da memória, não dos laços afetivos

“Alzheimer apaga a memória, não os sentimentos” (Pasqual Maragall)

A população mundial está ficando mais velha. Em países desenvolvidos a expectativa de vida ultrapassa os 82 anos. Contudo, com o envelhecimento da população há uma maior incidência de doenças crônicas degenerativas, entre elas as demências, sendo a Doença de Alzheimer a forma mais comum de demência.

A doença de Alzheimer (DA) é essencialmente uma síndrome neurológica degenerativa, progressiva e irreversível. A DA deteriora as funções cognitivas –  memória, orientação, atenção e linguagem –  causada pela morte de células cerebrais. Esta deterioração interfere diretamente na autonomia e na qualidade de vida do indivíduo, impactando significantemente suas atividades cotidianas.

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O luto de um amor perdido

“Os sentidos, do mesmo modo como são únicos, são também mutáveis. Mas não faltam nunca. A vida não deixa jamais de ter sentido” (Frankl, 1989)

Faz um ano que nossa querida Adriana Thomaz foi morar em outra dimensão e, para homenageá-la, vou publicar com a devida autorização de sua filha Bruna Thomaz, este texto escrito por Adriana em 01.06.2012 em seu blog.

O Luto de um amor perdido” Texto escrito por: Dra. Adriana Thomaz

Toda perda pressupõe um luto e aqui não seria diferente. Por separação, nem sempre um luto reconhecido, ou por morte, chamada viuvez cujo o luto é validado, reconhecido, as duas podem doer por muito tempo. A diferença do processo não é óbvia, contanto, uma vez que o luto depende do vínculo estabelecido e não é porque foi por morte que tal vínculo foi maior. O que quero dizer nesta consideração inicial é que o luto pela morte não é sempre maior ou mais difícil que o luto pela separação de um amor. Aqui, na separação, a perda é carregada de sentimento de frustração de um projeto, a perda de um sonho, a perda do papel realizado anteriormente, do status quo, para não dizer da família, da convivência com os filhos, dos amigos, do padrão de vida. E dá saudade. Saudade de muitas coisas, até da aliança, muitas vezes objeto permanente nos dedos daquele que perdeu seu amor, vivo ou morto, como vi explícito no cantor Seal, em entrevista a um talk show americano no início deste ano. Ele gagueja, se emociona, faz pausas e finalmente responde à pergunta que não queria calar a boca da entrevistadora: E esta aliança no seu dedo, o que significa? Com muita clareza e não menos emoção, Seal diz que significa o que ele sente… o processo do luto é lento e precisa ser respeitado. “Eu me sinto bem assim. Não sei por quanto tempo vou usá-la, mas ainda me sinto bem com essa aliança no meu dedo”.

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Luto Antecipatório: elaborando e ressignificando as perdas reais e simbólicas num processo de adoecimento

“A morte para os que ficam convida a um despertar da alma, para viver com mais consciência a vida de agora” (Fragmentos sobre a morte – Dora Incontri)

Para entendermos melhor o processo de luto antecipatório, compartilho na íntegra e com a devida autorização um excelente artigo escrito pela Profa. Dra. Maria Helena Pereira Franco publicado no Instituto Quatro Estações de Psicologia.

“Luto em Cuidados Paliativos”
Artigo escrito por: Profa. Dra. Maria Helena Pereira Franco

As primeiras visões sobre luto mostram um fenômeno entendido como causa potencial de doença física ou mental. É interessante observar como se deu a evolução desse conceito, até os dias atuais, quando definimos o luto como um processo normal e esperado em consequência do rompimento de um vínculo.

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United Kingdom: O luto coletivo de uma ilha

“Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” (Fernando Pessoa)

Na última sexta-feira, 24 de junho, acordamos com uma notícia um tanto quanto incômoda e, para milhares de pessoas, angustiante. Por meio de um referendo, uma consulta pública à população, descobrimos que o Reino Unido (UK) – mais especificamente, a Inglaterra e o País de Gales – não mais gostaria de continuar fazendo parte da União Europeia (UE). O dia foi definitivamente marcado pela tristeza após a confirmação final: os “out” venceram 51,9% a 48,1% os “in”. Este resultado também nos revela uma grande divisão no país.

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Ressignificando a morte de um filho

“Se não está em suas mãos mudar uma situação que causa dor, você pode escolher com que atitude vai enfrentar esse sofrimento” (Viktor Frankl)

Eu, particularmente, não gosto de classificar qual processo de luto é mais difícil de ser elaborado, pois cada pessoa possui uma forma particular de reagir diante de uma perda e tal processo se dá de forma lenta e gradual, com duração variável para cada pessoa. Contudo, eu tenho que concordar que uma das tarefas mais árduas da vida seja, sem dúvida, assimilar a morte de um filho. O processo de luto de pais pela morte de um filho, geralmente, é marcado pela angústia, vazio, culpa, dor e sofrimento pelo rompimento de um vínculo que tem como base amor e afeto.

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Celebrando o dia das mães sem a minha mãe

“A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor” (Carl Jung)

No próximo domingo, 2º domingo de maio, comemora-se o dia das mães no Brasil. Para mim, este será mais um dia das mães sem a minha mãe. Ela morreu em agosto de 1990. Assim como eu, com certeza há milhares de pessoas que celebrarão esta data de uma forma simbólica.

O dia das mães é um dia interessante. Muitas pessoas relatam que se sentem carentes, sozinhas, abandonadas, tristes, chorosas e órfãs. Tenho a sensação de que esta data nos remete a uma das dores mais profundas que a nossa alma pode sentir: a perda de uma mãe. Afinal, nossas mães são essenciais em nossa evolução para a idade adulta. Com elas criamos laços de amor e afeto que nos permitem ser no mundo. Não importa que você tenha tido uma relação difícil com a sua mãe. Mesmo assim, ela ainda ocupará um lugar central em nossas vidas.

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Estou de luto: meu animal de estimação morreu

“Um animal de estimação reflete o afeto que investimos numa relação que nos ensina a ser generosos e a exercitar a capacidade de cuidar” (Silvana Aquino)

Todos os seres vivos um dia irão morrer, portanto um dia você terá que dizer adeus ao seu animal de estimação. Infelizmente, a expectativa de vida dos animais, mesmo sendo eles muito bem tratados, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Por isso, é frequente os donos de animais de estimação terem que lidar com a morte de um ou mais animais ao longo da vida.

Os animais de estimação participam da vida cotidiana de várias famílias durante anos. Para muitas pessoas eles são verdadeiros companheiros, pois não criticam nem julgam; ajudam a amenizar o stress, pois estão sempre prontos para a brincadeira; e são uma fonte inesgotável de afeto e carinho, pois estão por perto, tanto nos momentos de alegria quanto nos momentos de tristeza. São por estas razões que as pessoas se apegam aos animais, criando laços profundos de afeição e amizade.

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Tipos de Luto: sim, existe mais de um

“Na solidão da escuridão, quase consegui sentir a finitude da vida e sua preciosidade. Não damos valor, mas ela é frágil, precária, incerta, capaz de terminar a qualquer momento, sem aviso”. (Livro: Marley e Eu)

O Luto é um processo que se inicia após o rompimento de um vínculo e estende-se até o período de sua elaboração – quando o indivíduo enlutado volta-se, novamente, ao mundo externo. O luto é um processo essencial para que nós possamos nos reconstruir, nos reorganizar, diante do rompimento de um vínculo. É um desafio emocional, psíquico e cognitivo com o qual todos nós temos que lidar.  Inclui transformação e ressignificação da relação com o que foi perdido.

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Funeral: um local para expressarmos a dor da perda

“A morte deveria ser assim:  um céu que pouco a pouco anoitecesse
 e a gente nem soubesse que era o fim” (Este quarto – Mário Quintana)

Há numerosas formas de nos depararmos com o fato de que nossa vida e a vida dos nossos entes queridos têm um fim. Ir a um funeral é uma delas. Devo concordar, funerais são de fato um dos eventos sociais mais difíceis de se participar. Por isso, a maioria das pessoas não gosta de ir a velórios e de participar dos ritos religiosos que se seguem após a morte de alguém. Contudo, participar de um funeral, em geral, é algo muito bom para o processo de luto. É um local para expressarmos nossa dor, para recebermos apoio social e nos permite vivenciar o momento de encerramento de um ciclo.

Como a sociedade moderna não discute a morte, participar de uma cerimônia fúnebre pode ser um momento embaraçoso. A família e alguns amigos próximos podem estar muito fragilizados diante daquela perda. Então, precisamos estar atentos para não causar nenhum constrangimento com comportamentos inadequados. Um funeral precisa ser vivenciado com compostura e serenidade.

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