Poema: A morte não é nada (Death is nothing at all)

“A morte separa os corpos, mas não desfaz o que o amor costurou; o afeto permanece onde nenhuma despedida alcança” (Psic. Nazaré Jacobucci)

Olá, caro leitor!

Há textos que atravessam gerações porque tocam, com simplicidade e profundidade, a dor da despedida. Entre eles, “A morte não é nada – Death is Nothing at all” tornou‑se um dos poemas mais compartilhados quando buscamos consolo após a perda de alguém que amamos. Mas, apesar de circular amplamente como se fosse de Santo Agostinho, essa atribuição é equivocada. O texto não pertence ao santo, nem ao período em que viveu. A versão moderna que conhecemos deriva de um sermão do século XIX, escrito pelo sacerdote anglicano Henry Scott Holland. Neste post, além de partilhar essa reflexão tão bela sobre continuidade e afeto, também recupero sua verdadeira origem — porque honrar a palavra também é uma forma de honrar a memória.

Sua verdadeira origem remonta ao clérigo anglicano Henry Scott Holland (1847–1918), teólogo inglês, professor da Universidade de Oxford e cônego da Catedral de São Paulo, em Londres. O texto que conhecemos hoje deriva de um sermão proferido por Henry Holland em 1910, durante o funeral do rei Eduardo VII, na própria St. Paul’s Cathedral. Naquela ocasião, suas palavras buscavam oferecer consolo aos enlutados, enfatizando a continuidade da vida, a permanência dos vínculos e a delicada fronteira entre presença e ausência. Com o tempo, o sermão foi adaptado, simplificado e difundido como poema e, assim ganhou o mundo.

“A morte não é nada” (Death is Nothing at all

“A morte não é nada. Ela não conta.

Eu apenas passei para o outro lado do caminho.

Nada aconteceu. 

Tudo permanece exatamente como era. 

Eu sou eu, e você é você,  e a vida que vivemos com tanto carinho juntos permanece intocada, inalterada. 

O que éramos um para o outro, isso ainda somos. 

Chame-me pelo nome familiar de sempre. 

Fale de mim do jeito simples que você sempre falou. 

Não coloque diferença no seu tom. 

Não adote um ar forçado de solenidade ou tristeza. 

Ria como sempre ríamos das piadas de que desfrutávamos juntos.

Brinque, sorria, pense em mim, reze por mim. 

Que o meu nome seja sempre aquela palavra de todos conhecida que sempre foi. Que seja dito sem esforço, sem a sombra de um fantasma sobre ele. 

A vida significa tudo o que sempre significou. 

É a mesma de sempre. 

Há continuidade absoluta e ininterrupta. 

O que é a morte senão um acidente insignificante? 

Por que eu deveria sair da sua mente, só porque estou fora da sua vista? 

Estou apenas esperando por você, por um intervalo,  em algum lugar muito perto, logo ali na esquina. 

Tudo está bem. 

Nada foi ferido; nada foi perdido. 

Um breve momento e tudo será como era antes.

Como riremos das dificuldades da partida quando nos encontrarmos novamente!”

Livro à VendaAutora do Livro: Legado Digital: Conhecimento, Decisão e Significado – Viver, Morrer e Enlutar na Era Digital

Referências:

WIKIPEDIA. Henry Scott Holland. Disponível em: Henry Scott Holland – Wikipedia. Acesso em: 16 fev. 2026.

Family Friend Poems. Death Is Nothing At All. Disponível em: https://www.familyfriendpoems.com/poem/death-is-nothing-at-all-by-henry-scott-holland. Acesso em: 16 fev. 2026.

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