Ressignificando a morte de um filho

“Se não está em suas mãos mudar uma situação que causa dor, você pode escolher com que atitude vai enfrentar esse sofrimento” (Viktor Frankl)

Eu, particularmente, não gosto de classificar qual processo de luto é mais difícil de ser elaborado, pois cada pessoa possui uma forma particular de reagir diante de uma perda e tal processo se dá de forma lenta e gradual, com duração variável para cada pessoa. Contudo, eu tenho que concordar que uma das tarefas mais árduas da vida seja, sem dúvida, assimilar a morte de um filho. O processo de luto de pais pela morte de um filho, geralmente, é marcado pela angústia, vazio, culpa, dor e sofrimento pelo rompimento de um vínculo que tem como base amor e afeto.

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Celebrando o dia das mães sem a minha mãe

“A vida acontece num equilíbrio entre a alegria e a dor” (Carl Jung)

No próximo domingo, 2º domingo de maio, comemora-se o dia das mães no Brasil. Para mim, este será mais um dia das mães sem a minha mãe. Ela morreu em agosto de 1990. Assim como eu, com certeza há milhares de pessoas que celebrarão esta data de uma forma simbólica.

O dia das mães é um dia interessante. Muitas pessoas relatam que se sentem carentes, sozinhas, abandonadas, tristes, chorosas e órfãs. Tenho a sensação de que esta data nos remete a uma das dores mais profundas que a nossa alma pode sentir: a perda de uma mãe. Afinal, nossas mães são essenciais em nossa evolução para a idade adulta. Com elas criamos laços de amor e afeto que nos permitem ser no mundo. Não importa que você tenha tido uma relação difícil com a sua mãe. Mesmo assim, ela ainda ocupará um lugar central em nossas vidas.

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Estou de luto: meu animal de estimação morreu

“Um animal de estimação reflete o afeto que investimos numa relação que nos ensina a ser generosos e a exercitar a capacidade de cuidar” (Silvana Aquino)

Todos os seres vivos um dia irão morrer, portanto um dia você terá que dizer adeus ao seu animal de estimação. Infelizmente, a expectativa de vida dos animais, mesmo sendo eles muito bem tratados, é curta em relação ao tempo que o dono viverá. Por isso, é frequente os donos de animais de estimação terem que lidar com a morte de um ou mais animais ao longo da vida.

Os animais de estimação participam da vida cotidiana de várias famílias durante anos. Para muitas pessoas eles são verdadeiros companheiros, pois não criticam nem julgam; ajudam a amenizar o stress, pois estão sempre prontos para a brincadeira; e são uma fonte inesgotável de afeto e carinho, pois estão por perto, tanto nos momentos de alegria quanto nos momentos de tristeza. São por estas razões que as pessoas se apegam aos animais, criando laços profundos de afeição e amizade.

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Tipos de Luto: sim, existe mais de um

“Na solidão da escuridão, quase consegui sentir a finitude da vida e sua preciosidade. Não damos valor, mas ela é frágil, precária, incerta, capaz de terminar a qualquer momento, sem aviso”. (Livro: Marley e Eu)

O Luto é um processo que se inicia após o rompimento de um vínculo e estende-se até o período de sua elaboração – quando o indivíduo enlutado volta-se, novamente, ao mundo externo. O luto é um processo essencial para que nós possamos nos reconstruir, nos reorganizar, diante do rompimento de um vínculo. É um desafio emocional, psíquico e cognitivo com o qual todos nós temos que lidar.  Inclui transformação e ressignificação da relação com o que foi perdido.

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Cuidados Paliativos: o papel do psicólogo com pacientes em final de vida

“Há em cada um de nós um potencial para a bondade que é maior do que imaginamos; para dar sem buscar recompensa; para escutar sem julgar; para amar sem impor condições”  (Elizabeth Kubler-Ross)

Há várias áreas em que a atuação do profissional de psicologia se faz absolutamente necessária. A área hospitalar é uma delas. Trabalhei por alguns anos em hospitais da rede pública e privada na cidade de São Paulo e o meu papel era fornecer suporte ao paciente em adoecimento. Nós psicólogos especializados em hospitalar visamos minimizar o sofrimento psíquico do paciente em processo de adoecimento e/ou hospitalização. Nós buscamos, por meio da escuta ativa, compreender o que representa aquela doença na vida cotidiana daquele sujeito e o impacto desta no seu contexto familiar. E, junto com ele, tentamos ressignificar seu adoecimento e compreender esse momento de transição e transformação.

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Funeral: um local para expressarmos a dor da perda

“A morte deveria ser assim:  um céu que pouco a pouco anoitecesse
 e a gente nem soubesse que era o fim” (Este quarto – Mário Quintana)

Há numerosas formas de nos depararmos com o fato de que nossa vida e a vida dos nossos entes queridos têm um fim. Ir a um funeral é uma delas. Devo concordar, funerais são de fato um dos eventos sociais mais difíceis de se participar. Por isso, a maioria das pessoas não gosta de ir a velórios e de participar dos ritos religiosos que se seguem após a morte de alguém. Contudo, participar de um funeral, em geral, é algo muito bom para o processo de luto. É um local para expressarmos nossa dor, para recebermos apoio social e nos permite vivenciar o momento de encerramento de um ciclo.

Como a sociedade moderna não discute a morte, participar de uma cerimônia fúnebre pode ser um momento embaraçoso. A família e alguns amigos próximos podem estar muito fragilizados diante daquela perda. Então, precisamos estar atentos para não causar nenhum constrangimento com comportamentos inadequados. Um funeral precisa ser vivenciado com compostura e serenidade.

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Livros: indicações de leitura para refletirmos sobre a temática da morte e do luto

“A vida se transforma rapidamente. A vida muda num instante. Você se senta para jantar e a vida que você conhecia acaba de repente” (Livro: O ano do pensamento mágico – Joan Didion)

Caros leitores, eu tenho que confessar a vocês: eu sou apaixonada por livros desde a infância. Eu penso que um livro não apenas nos fornece conhecimento. Ele é capaz de nos transportar para lugares inabitados de nossa consciência e, muitas vezes, nos possibilita ter um novo olhar sobre o mundo e sobre nós mesmos.
Atendendo a inúmeras solicitações que recebi de profissionais, estudantes e leigos, preparei uma lista com algumas recomendações de leitura. Compartilho, então, algumas sugestões de livros que nos convidam a uma reflexão sobre a temática da morte e do luto.

A Morte e o Morrer

Livro1

Livro: Sobre a Morte e o Morrer (Elisabeth Kubler-Ross)
Este livro é clássico e todos nós profissionais da saúde precisamos ler. O livro descreve como a autora, através de entrevistas com pacientes gravemente doentes e sem possibilidade terapêutica de cura de um hospital de Chicago, chegou aos cinco estágios emocionais pelos quais eles passam durante o processo de morrer. Além disso, descreve as dificuldades encontradas pela equipe multiprofissional ao lidar com o paciente, as notícias difíceis e os familiares.
Neste livro a autora transcreve as experiências de seus pacientes que comunicaram suas agonias, expectativas e frustrações.

Livro2

Livro: Morte e Desenvolvimento Humano (Org. Maria Júlia Kovács)
Atualmente, falar sobre morte ainda é um tabu, embora problemas como câncer, aids, desespero, solidão, luto, suicídio e violência constantemente nos remetam a refletir sobre esse tema. Este livro traz à tona a importância de aprendermos a lidar com essa temática de forma a amenizar a dor causada por ela, tanto no nosso cotidiano enquanto pessoas, como no manejo clínico com pacientes que buscam auxílio profissional. Este livro é leitura obrigatória para nós psicólogos.

Livro3

Livro: A Arte de Morrer Visões Plurais vol. 1, 2 e 3 (Org. Franklin Santana Santos)
Esta coleção já se tornou uma referência no Brasil. Trata-se de uma obra escrita por inúmeros especialistas em Medicina, Filosofia, Educação, Psicologia, Enfermagem, Antropologia, Direito, Religiões e outras áreas. Cada qual discorrendo sob a sua perspectiva sobre a temática da morte. Todos os autores são pesquisadores, a maioria doutores das maiores universidades brasileiras, que abordam a questão de maneira interdisciplinar e plural. Apesar de ter esse caráter acadêmico, não se trata de um livro dirigido apenas a estudiosos da questão, mas a todas as pessoas que desejam romper o silêncio em torno da temática da morte.

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Filmes: recurso pedagógico para refletirmos sobre a temática da morte e do luto

“Você tem que saber responder a essa pergunta: se você morresse agora, como você se sentiria a respeito da sua vida? ” (Filme Clube da Luta)

Filme as Horas Eu sou uma cinéfila confessa. Considero a sétima arte absolutamente sublime. O cinema fez parte da minha formação: meu trabalho de conclusão de curso em psicologia foi uma análise psicossocial do fenômeno suicídio no filme “As Horas“, no qual eu analisei o suicídio de Virginia Woolf. Como professora, considero filmes uma ótima ferramenta de auxílio para a compreensão de diversos conceitos. Os filmes não só nos divertem, mas são capazes de nos fazer refletir, favorecendo assim, novas formas de lidar com questões e conflitos do nosso cotidiano. Compartilho, então, algumas sugestões de filmes que nos convidam a uma reflexão sobre a temática da morte e do luto.

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Cuidados Paliativos em Pediatria: a criança diante da morte de si mesma

“A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas, a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música” (Filme: A última música)

Falar de morte se tornou, infelizmente, um tabu na sociedade pós-moderna e, para muitas pessoas, falar dela é uma tarefa árdua. Contudo, a morte pode nos surpreender a qualquer momento, inclusive na vida cotidiana de uma criança.

Discutir sobre um tabu social, em si mesmo, não é tarefa fácil e torna-se ainda mais difícil discuti-lo quando esse está diretamente relacionado com a morte de uma criança ou de um bebê que, segundo nossa percepção, teriam toda uma vida pela frente. Entretanto, assim como os adultos, as crianças também são acometidas por doenças graves e, infelizmente, muitas dessas doenças não possuem possibilidade terapêutica de cura.

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Como lidar com a dor do luto durante as festividades do final do ano

“Não queira eu que se apaguem as minhas dores, mas que eu saiba acomodá-las
no meu coração” (Cântico da Esperança – Rabindranath Tagore)

Estamos vivenciando uma das épocas mais significativas do ano. O Natal e o Ano Novo são, para a maioria das pessoas que vivem no ocidente, um momento de estar com a família e com amigos queridos. Não podemos esquecer que a essência do Natal está justamente no partilhar de afetos com aqueles que amamos.

Contudo, o Natal, mais especificamente, também pode ser um momento desconcertante e dificílimo de ser vivenciado, principalmente para as famílias que sofreram a perda, recente ou não, de um ente querido, pois esta época também é de nostalgia e recordações. Podemos ser invadidos por uma enxurrada de emoções e sentimentos diante da ausência de alguém que amamos. Também não podemos nos esquecer que há pessoas que morrem, infelizmente, durante o Natal e no Ano Novo.

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